E no fim de tudo
tudo se estabelecerá
não haverá mais segredos
para alguns anseio, desejo
para outros porém, medo

saberás das minhas falhas,
do meu terrível ser
saberás também
que tantos desejos puros
e tanta boa intenção
foram fruto de terrível
má interpretação
saberás por fim do meu coração

Saberei se seu olhar
carregava amor
ou se apenas desejo
saberás que meus sorrisos
traziam dor
e não apenas meu beijo

Ficarei nu
e se manisfetará minha probreza
toda força que não tenho
toda minha incerteza
minha falta de empenho

o que me resta de nobreza
minha sinceridade apaixonada
o que se passava em seu coração
quando em um turbilhão de palavras
sua boca calada

Bem e mau enfim descobertos
o fim de toda relatividade
saberás quem eu sou
desde antes da eternidade
saberás a Verdade

E ai, sem mais demora
te trarei para perto de mim
rodeado de eterna luz
arpejos eternos, harpas de querubim
será esse o início
logo após esse temporal fim





Eu sou um eterno fingidor de mim
me disfarço diante do meu olhar
sendo aquilo que queria ser
pra enganar
e não somente a mim

Passam olhos sobre mim
e sorrisos passam também
não sabem o que o coração discrepante sente
e por mais que ignore, mente
e a esse engano diz: Amém

Ah se soubessem
da incapacidade que sinto
da quase inutilidade em que me perco
me sinto sempre em um cerco
por isso me engano, minto

E agora se escandalizam
Porque de mim sempre se ouviu:
odeio a mentira
agora clamo: Quem dessa fossa me tira?
e quem ouviu, não fez nada, riu

As pessoas não me veêm como eu
são sinceros enganados ao meu respeito
e eu que sei, mas não me entrego a verdade
vivo de maquiar a realidade
vou dando sempre um jeito

Mas aqui dentro de mim
vivo em angústia de vontade
de me mudar por inteiro
parar de gostar do chiqueiro
mas até isso me sorri como vaidade

É um paradoxo?
não
ambivalência?
talvez
Ironia?
por completo
e aqui debaixo desse teto
me desconcerto
por que fico e nunca vou
a ironia é que ainda não sei quem sou

Amo a verdade acima de tudo
minha tristeza reside nesse pesadelo
de esconder o que sou até de mim mesmo
sou fraco, sou pobre, sou ermo
sem poder mudar a cor de um fio de cabelo

E quem é que pode viver nesse paralelo?
confesso mais um defeito
existem muitos que invejo
pessoas que não vêem com o olhar que vejo
pessoas com simples conceitos

Eu
meu eterno traidor
quem mais me ama
o que mais causa dor
Eu
a causa e o efeito
nunca começo, nem fim
sempre meio
Eu
a causa mor do desespero
remédio, veneno
insosso, tempero

Ah se passassem olhares
sorrisos e tudo mais
e vissem aqui um coitado
e me deixassem em paz

Ah se não houvessem
mais lamentações a fazer
e todos pudessem ser o que são
em paz
alegres
em depressão

Ah se eu me visse livre de mim
acharia o retorno
e no meio de tudo um fim






quem é o maldito atrás do vidro cromado?
que se esconde de mim
e se revela assim, triste e inconformado?

quem é que sabe a verdade por trás desses olhos tristes?
quem é que viu a verdade?
na realidade, será que ela existe?

quem viu o flagelo da história que nunca foi contada?
quem estava lá pra assistir?
me vejo assim, escondendo, enterrando e a mantendo guardada

sabe-se lá, se algum dia alguém poderá a ouvir
existe alguém por ai?
queria que fosse em ti, que eu encontrasse razão de existir

o que esse maldito fez pra me separar de mim?
o reflexo que vejo no vidro
puro desequilíbrio, vestígios sempre do fim

queria que fosse você, que é toda a história
que estivesse sempre aqui
mas no final o que vi, os ponteiros, o relógio e as horas

passou-se o tempo, em anos a vida inteira?
e carrego pra sempre
e finalmente, os calafrios da hora derradeira

quem é que se esconde atrás do olhar do espelho?
que me disseca
e sem nenhuma pressa, me dá sempre o mesmo conselho

espera
espera
espera
que do alto virei para ti
descansa
descansa
descansa
farás parte do todo de mim

e por fim revelada a história
sem mágoas então saberás
terás, por fim a vitória

mas ando na terra, e continuo a perguntar:
por quanto tempo?
e isento, Ele continua a falar:

Espera... descansa...
em breve não haverá mais o tempo
viva por esse alento, e por fim também como herança

e me calo, como me calo agora
e depois, amanhã, eu não sei
Saberei? Apenas no tilintar da última hora





De onde vem essa sede?
essa necessidade?
a muito não sei se é sede
acho apenas ser vaidade

é terrível constatar a cada dia
que os meus sentimentos mais puros
não passam de ufania
atirar de pedras num muro

o orgulho que a gente desmente
se aflora na certeza inata
de que bem não faço em verdade
egoísmo que a vida mata

enredando mais gente e mais gente
pro meu próprio e particular abismo
deveria sim libertá-las
mas me rendo ao narcisismo

e me canto livre e contente
numa mentira desatinada
enlaçando corações e mentes
de gente desavisada

e meu clamor ridiculo e egocêntrico
é sempre por mim mesmo, devaneio
como se eu me resolvendo
resolvesse o mundo inteiro

Acorda! Há uma voz que me diz
não! Ela grita
e eu inerte em meus pensamentos
grito a mim mesmo: Não ouça, evita!

preciso mesmo ouvir essa voz
não a minha, mas a do conselho
e parar de ouvir o que diz
quem está do outro lado do espelho

preciso também parar de achar que sei
aquilo que devo saber
não sei se preciso de conselho
queria mesmo ouvir o que tem a me dizer
quem está no espelho

De onde vem essa sede? essa fome?
esse desejo?
eterna procura infinda
rato atrás do queijo
auto-traição
judas se dando um beijo

De onde vem essa fome,
se não da fome em si mesma?
me consome
o desejo de desejar
a fome!

De onde vem essa pergunta
essa indagação?
espero de mim a resposta (ou de alguém?)
um talvez, um sim ou um não






vem sempre alguém
pra bagunçar a vida da gente
pode ir assim, tão derrepente
ou pode ficar pra sempre

pode ser solução
mas o que me parece
é uma grande confusão

tem que pagar pra ver (tem ver pra crer)
era o que me diriam
é porque não dá pra prever
porque tem de ser assim, porque?
são perguntas sem respostas
e eu continuo aqui, ainda sem saber

Calma, é a palavra que urge
mas não combinam uma com a outra
é como um leão que ruge
aço inox
ferrugem

Escolhas
Aventura
lucidez?
loucura?

Prefiro ainda a surpresa
hoje a fome
amanhã farto de pão
prefiro mesmo a surpresa
do que a previsão

Mas sabe-se la o que é a vida?
um gráfico, um plano?
Não, a minha é sempre
acertos e enganos

Encontros, desencontros
reencontros e despedidas
essa é minha vida

por isso não se engane
não se aprece
não se perocupe
a vida continua a passar
mesmo que dela a gente não se ocupe
e o que será, será
mesmo que agora
a gente já não saiba por onde
nem como caminhar





Se passaram muitos anos desde então
não cronológicos
mas metafóricos
mesmo assim reais
e tais
anos foram longos
ditongos
sem fim

Dentro de mim
envelheci
algumas
não apenas uma
vezes
morri

E ainda assim
com forças
e forcas
muitas vezes
renasci

De volta agora
nessa hora
ao passado
de humor
bem humorado
me sinto engraçado
e agraciado
por ver
que cada um de vocês
guardaram
e guardam ainda
entre voltas e vindas
um sentimento
quase que ciumento
pela nossa amizade

E é verdade
que a felicidade
essa nossa
não me deixa vê-los como estranhos
pois apesar dos anos
e de tudo mudado
ainda trago guardado
no peito
de cada um, seu jeito
e a certeza
que tudo isso
por mais incrível
e efêmero que pareça
ficará aqui dentro
e direi que me lembro
em mais uma década
que passe
sem empasse
que jamais me esquecerei
de nenhum
nenhum mesmo
de vocês






Ai humanidade
quanto mais chega a idade
mais disfarçada fica a vaidade

É tudo mentira
E tudo me irrita

A verdade, que sempre o problema
é comigo mesmo
dava tudo
para estar no ermo

Acho que não tive crises
na adolescência
Agora que deveria ter me achado
não tenho um pingo de paciência

Talvez seja porque é sempre
o que a gente não quer
sempre o que a gente não quer
sempre o que der e vier

E minha vida vai assim
como esse poema
vai tecendo na poeira
vai ficando só sujeira
vou andando sempre na beira
sem saber onde é o fim
porque se está no meio ou termina
não importa, é sempre assim
sempre o que der
sempre o que vier





era tudo fumaça
era muito entulho
era toda confusão
era incêndio
era desastre
era demolição

muita correria
desespero,
explosão!
caos
gritaria
escuridão

toda sorte de medo
falta de fé
auto-decepção
era pânico
síndromes
profunda depressão

era choro
era soluço
era canção
então silêncio
vazio
solidão

era o acordar
era assustador
mesmo assim renovação
era outro mundo
nova vida
redenção

já não era o que era
tudo novo
reformulação
era vida após morte
mais forte
ressureição





vou ser sempre feliz pela metade
me sensurem, e daí?
antes a metade do que nada
e não me venha com frases copiadas

sou a metade da laranja
do limão
da maçã
sou ontém, passado
nunca presente
amanhã

vivam como vivem
e quem é feliz por completo?
difícil e viver fragmentado
sobre o mesmo teto
mas essa é uma frase que eu
já disse antes
não me venham com frases prontas
vazias, arrogantes

fico triste
com quem se acha totalmente feliz
completo!
que a morte o carregue
antes que esvaia seu conforto
e viva como um morto
imcompleto, sem a tal metade
infeliz, debalde.

acho que eu sou meio
sou assim
nem vazio, nem cheio

quando eu encontrar
alguém assim como eu
que anda feliz por ser metade
talvez ai entenda
o que é felicidade
e ser completo
mesmo sendo meio
seja do biscoito o recheio
e da laranja a outra parte

mesmo assim
serei feliz pela metade
pois sou meio
é o que creio
isso é felicidade

me sensurem
não ligo
me falem de Deus
e dos Seus
que viveram completos
mas não de vós mesmo
pois vos conheço
e sei de vosso medo
de encarar a realidade
e dizer que a felicidade
é se saber imcompleto

um dia quem sabe
eu termine essa poesia
e ela seja completa
quem sabe... um dia... um dia...





Uma pedra cai
e me esmaga
uma pedra
e a vida se acaba

veio derrepente do céu
sem tempo de reação
uma pedra
eu e o chão

meus amigos olhavam
perplexos
uma pedra
sem tempo pra reflexo

e agora
eles e eu
uma pedra
adeus

era um sonho
é real
uma pedra
o final

foi uma visão?
profética!
uma pedra
fim de uma vida patética

banhada de sangue
de ossos e víceras
essa pedra
sou eu, intrínseca

meus amigos ali
ainda sem reação
essa pedra
mais um filho de abraão?

eu estava ali
entre a pedra e o chão
mas agora só pedra
mutação

e meus amigos ali
absortos, inertes, sem reação
se não clamarem
as pedras
clamarão

foi posta ali
como angular
também uma Pedra
a me anular

quem caí sobre ela
fica em pedaços
e sobre essa Pedra
hoje me refaço

e aquele sobre quem
ela cair
ao peso da Pedra
nada irá resistir

e foi assim, cai
virei pó, fiquei em pedaços
mas sobre essa Pedra
construo, me faço

quando caiu sobre mim
parecia alheia
essa Pedra
demoliu minha casa na areia

agora construo
pedra sobre Pedra
sobre essa Pedra
que nada quebra

veio uma pedra do céu
me esmagou, aflição
quebrou o que era pedra
meu coração

veio uma pedra do céu
que me dilacerou, alarme!
meu coração que era pedra
agora é carne

Veio uma pedra do céu
e peço, amigo não chore
agora sou pedro, sou pedra
Ele açoita aos que escolhe

Uma pedra caiu
e me esmagou
uma pedra
agora é o que sou





Eu não fico mal
eu não fico doente
estou sempre bem
sempre contente

sempre pronto a ouvir
com toda paciência
so finjo as vezes
um pouco de carência

que é pra mostrar a vocês
que não sou sobre-humano
pra me igualar a todos
em toda sorte de engano

tenho sempre um sorriso
estou sempre disponível
sempre com palavras animadoras
a toda a dor sensível

eu não fico magoado
eu não entro em depressão
pra todos os lamentos
tenho sempre uma canção

com total consciência
as vezes me passo por mal-humorado
para quem me consolando
se sinta também consolado





1

eu me iludo sempre
sim, eu mesmo me iludo
vedo a boca do meu ser
mudo

eu não sei exatamente o que
minha não-razão fica a procura
só a eternidade é minha solução
cura

é que dentro de mim
lateja violentamente
a vontade de ser teu
totalmente

2

o coração dividido
bi-partido
dicotomizado
esperando que eu decida
escolher pela vida
que é estar ao seu lado

o coração pobre-coitado
vai sendo enganado
pulsando forçosamente
pelos meus desejos
que lhe são contrário

pois longe de ti
vou andando desorientado
sabendo que só tenho uma saída
que é andar ao seu lado


3

estou na eterna caminhada
de volta, retorno
e por esses caminhos escuros
isso me serve de consolo

até que um dia
Sua luz brilhe, salvação
e encham meus olhos
reestabelecendo minha visão

pois perdido e cego
ando em mim mesmo, calado
pois mesmo que eu não esteja
você está do meu lado


4

ando voltando
por todos esses caminhos novos
ando nessa estrada
que as vezes me parece errada
pois a maioria caminha em outra direção
e eu aqui, contramão

mas sei no mais profundo do meu ser
embora me fuja as vezes a convicção
que algo estranho me guia
sua mão

para que ao terminar o caminho
encontre o fim desejado
e me surpreenda, com a imagem
de quem sempre esteve do meu lado





te amo em profundo silêncio
enquanto o mundo inteiro
quer gritar
eu, em profundo silêncio
guardo o respeito
e a vontade de te encontrar
aqui dentro do peito

se inverteram os valores
mas pra mim
ninguém precisa saber
o que guardo aqui dentro
ninguém
e hoje nem mais você

deram um ultra valor
as demonstrações explicitas
e públicas de amor
mas me guardo disso, hoje
com reverência te amo
em silêncio e temor

respeito meu ser
e as propriedades terapeuticas da dor
e matenho em segredo
minha esperança
meus desejos, meu amor

é que não tenho controle
sobre seus atos, desejos e vontades
por isso te amo em liberdade
Quem ama deixa livre
dor libertadora saber dessa verdade

te amo agora em segredo
em paz, e na medida máxima de bondade
que meu ser pode suportar
oxalá não gritasse o mundo pra mim
dizendo que assim
ninguém pode se sustentar

é que amam o amor que sentem
e não amam deveras o ser
por isso gritam
teem necessidade de se auto-convencer
do amor que na verdade não sentem
por isso para si mesmo mentem
não podem se conhecer

e eu
te amo em silêncio
profundo
e do fundo
do meu coração
desejo que um dia
a vida
possa nos dar
uma completa satisfação





é como se sentir seguro
andando em cima de um muro
sem saber

(aonde está você)

e sentir em um segundo
todas as crises do mundo
sem entender

(pra onde vai você)

nunca se sabe
o que vai acontecer
existe sempre uma chance
uma revanche
e as vezes, dependendo
eu não quero saber
o que acontece do meu lado
já perco tanto tempo
com o que se passa por dentro
que prefiro ficar calado

é como sentir um estranho gozo
mesmo com a corda no pescoço
sem temer

(aonde está você)

e sentir a cada dia
que se vai chegano ao fim da via
sem se ver

(pra onde vai você)

eu cheguei ao fim da página
e não sei exatamente o que escrever
deve ser mesmo
porque perdi você
e fico assim sem saber
se corro
se paro
a pé
ou de carro
se fico
ou viajo
mas quando vejo
o que sempre acontece
a página acaba
e minha mente esquece
o que queria escrever

aonde vai você







ouves de outra boca agora
as palavras que sempre falei
mas de mim não ouves mais
é que te perdi, eu sei, eu sei

Eh! vou viver assim condenado
a pagar o preço dos meus erros
nosso pecado!

sua imagem como um retrato
não é da realidade um fato

sua imagem como um fato
eu guardo como um retrato

Eh! vou morrer assim anestesiado
cuidando para não haver erros
nunca houve pecado

ouves de minha boca eternamente
as palavras que nunca falei
de outros ouviu sempre
é que me amas, eu sei, eu sei





ando inconformado
com objetos estranhos que vejo
sentimentos que tomaram forma
vejo a silhueta obscura do beijo

e tudo tem se tornado estranho
a beleza do subjetivo
se perdeu na realidade
não me agrada aos olhos
os contornos da felicidade

e aquilo que sempre me pareceu
como absoluta verdade
não traz mais a beleza
oculta na subjetividade
se tornou escárnio pra mim
após sua materialidade

esses objetos
que agora me causam medo
eram antes disso
minha alegria em segredo
mas agora
depois que os vejo
ando enojado
envolto por desprezo

a vontade de fazer o caminho de volta
onde a beleza não se enxerga
mas esse é um dos espinhos
que a vida agora carrega

a brutal realidade
dos objetos que vejo
redobra ainda mais
esse mesmo desejo
de voltar nesse caminho
e arrancar da carne esse espinho

a atmosfera se tornou pesada
carregada por esses objetos
enchem todos os lugares
estão no chão, vão ao teto

por pouco já não vejo ninguém
só essas malditas formas que me cercam
e que começam agora a ter vozes
tornando-se meus cruéis algozes
bestas ferozes
que me manietam

agora só existem lampejos
do mundo que outrora via
estas bestas-feras horrendas
destruíram minha fantasia

pois vejo agora
só o sentimento que lateja
nos corações discrepantes
da humanidade
mas algo aqui dentro me fala
que não vejo a verdade
vejo apenas minha própria maldade

verdade é
que já nada vejo
as trevas tomaram conta da paisagem
nem em lembranças
sei mais o que um dia foi imagem
não há mais vozes
barulho total - silêncio
tão somente essa linguagem

e eu aqui perdido
não sei mais se sou eu
ou toda a humanidade
que anda perdida em si mesma
imersa na própria vaidade





gela minha alma
o suspense do encontro
porque é sempre inesperado
e quase nunca estou pronto

e pulsa forte aqui no peito
deve ser alguma forma (indestinguível)
de respeito

a distância é fundamental
nesses casos
mas o susto com o inesperado
é sempre incontrolável
pelo menos nesses casos

e será assim
até que
um dia
você não seja mais surpresa
seja todos os dias
aqui
na nossa mesa
ou pode ser que nunca mais
que na retina
eu a veja

e pode ser
que nada disso aconteça
seria essa sim
para mim
a maior de todas as surpresas





porque e pra que?
eu perguntava a ela
não a ela, mas a minha alma
pois nem adiantava
pedi-la calma


nada queria saber
e a fome dela era destrinchar
e assim se machucar ainda mais
ja não se pode voltar atrás


queria porque queria se condoer
e mais uma vez se deprimir
mas não! Pra que?

Esta tudo sempre
a um toque ou clique das mãos
e eu perguntando pra que
dilacerar mais o coração?

por isso
decidi que não!

não me entendam mal amigos
é que são muitas vozes aqui dentro
remoendo!
mas eu disse que não!

decidi doma-la
não ela, mas minha alma
chega de dores
nem dois, nem mais um trauma!

sem mais perguntas
sem mais
afinal repito
já não se pode voltar atrás





coração transborda
ele é uma horda
de coisas doces e amargas
ele sorri, ele chora
Deus nele mora


é que anda quebrantado
pelo seu próprio quebranto
e ante alegrias e prantos
tenta não perder o encanto


o coração transborda
está cheio de graça
dessa esperança que não passa


o rosto tenta
mas nem ele disfarça


a alegria que chega
e nele faz morada
alegria do Eterno
a nada comparada


e me faz ver o sol, o dia
deixa a vida deslumbrada
mesmo quando na pressa
mesmo quando parada
mesmo quando os olhos
se enchem d'água


A Ele declaro todo meu amor
Ao Eterno
Pai, amigo, filho, mãe, criador
que me liberta das cadeias do tempo
me enche de alento
e me leva como o vento
sem saber de onde vem
e nem para onde vai


meu coração assim
liberto
estará sempre por perto
daqueles que decidam amar


andará sempre disposto
a enxugar seu rosto
das lágrimas que venha a derramar


para no fim
libertos de vez por todas do tempo
não haja um só momento
nem forças, nem tormentos
que venham nos separar





antes fosse labirinto
essas paredes que me cercam
quarto lúgubre, sombrio
frio, escuro, vazio


antes fosse labirinto
com opção de caminhos
mesmo que eu nunca chegasse
ao meu destino


antes fosse labirinto
com uma única saída
mesmo que eu soubesse
que era pura utopia
ainda assim melhor seria
do que esse quarto fúnebre
claustrofobia


não tenho pra onde fugir
nem para onde correr
não há luz
nem túnel
só uma lembrança
você


não há fuga
nem há planos
nem visitas
nenhum convidado
somente eu e minha alma
nesse quarto
blindado


antro putrefato esse quarto
exalando meu próprio pecado



antes fosse labirinto...
agora eu sei!
minha mente que alucina
a única vacina
pra te esquecer





morro
mas nem todo dia morro por completo
as vezes e sempre
morro ante esses versos

escrevo
sempre em terrível agonia
o coração que dispara no peito
arritimia

sofro
sofro da morte que escrevo
escancarada em meu semblante
alto-relevo

e vivo
dos versos que sempre me matam
dando vida aos poucos
que meus pobres versos acatam

e como sempre
a muito me desespero
pois morro todos os dias
é sempre o final que espero
mesmo que não seja por completo

pra ver se no fim
concluo o dilema
mas aumento muito ainda
o mesmo problema

esses versos que terminam
mas não findam jamais
a morte que é vida e me traga
me enchendo de vácuo, mais e mais





Seu caminho
cor de rosa
sôa bem
poesia e prosa

É tão feliz
flores em volta
borboletas coliridas
em prefeita escolta

Seu caminho
cor de anil
Sôa tão bem
canção infantil

É tão alegre
pássaros voando
peixes em festa
grilos cantando

Negro
negro é meu caminho
com ausência de cores
e presença de espinhos

Não é triste
mas faltam flores
me falta você
me faltam cores

Não é alegre
o céu é vazio
não estou com você
o mar é sombrio
sem peixes no lago
sem vida no rio

Mas há solução
vejo alguém
que não me deixa só
um dia saberás quem
transformou meu mundo
sem falar de ninguém





quando ele enfim descobriu
não era tarde demais
apesar de ja ter dito
a sentença: jamais

o sol não havia se apagado
e os dias continuavam a nascer
descobriu então
que havia ainda razão para ser

quando as manhãs nasceram
e ele ainda estava lá
descobriu que ainda havia motivo
e vontade para lutar

se encheu então de esperança
nunca mais disse que nunca mais
creu na ressurreição dos mortos
no eterno e não no "jaz"

sabia por si só
que nada havia acabado
mesmo parecendo morto
sepultado, enterrado

creu que tudo se fazia novo
que sempre era tempo para recomeçar
começava ali
a não mais reclamar

seguia desde então
um caminho cheio de novidade
recomeçando coisas não terminadas
ciente agora de sua capacidade

e terminando o que devia ser terminado
não tinha mais ressentimentos
se via como um novo homem
cheio de vida e sem desalentos

caminhava enfim
numa eterna contramão
contra um mundo de ambiguidades
preferiu viver pelo seu coração

que agora estava cheio de amor
cheio de esperança e de paz
sepultou a única coisa que devia ser sepulatada
sua antiga sentença: jamais





Procuro um lugar
bem alto
para poder descansar
debaixo de uma mangueira
debaixo de um luar

Quero esvaziar minha mente
para sentir o que se sente
no alto manto estelar

Quero perder a medida
ver a vida despida
so para poder sonhar

Quero andar muitas léguas
não vou dar trégua
até conseguir encontrar
um lugar bem alto
debaixo de uma mangueira
para poder descansar

E ficar sôssegado
com você ao meu lado
sem nada para preocupar
olhando do alto
debaixo de um luar





me desencoraje primeiro
me diga toda verdade
pois nem ainda o mundo inteiro
preencheria uma metade
do meu coração que é todo teu
e vive a pulsar nesta esperança
de quem antes prometeu
a mim toda confiança

depois de des-enganado
o meu pobre coração
voltará renovado
com uma nova canção

Existe no mundo alguém como meu amor?
Existe nos campos tão perfeita flor?

faço esse poema um pouco bíblico
faço esse poema um pouco do primário
sabendo que quem escreve é meu eu lírico
escreve das fantasias do imaginário

vamos todos juntos correr pelas ruas
nos abraçar
chorar e rir

vamos todos como pessoas nuas
nos acalmar
voltar e vir

vamos como uma massa ensandessida
sem direção

vamos como pessoas enlouquecidas
um só coração

faço esse poema um pouco bíblico
sem muita intenção
faço esse poema um pouco do primário
com muita afeição

mando um beijo pro universo
que sorriam todas as estrelas
em cada estrofe, em cada verso
faço tudo para te-las
felizes juntas comigo
que elas nunca se esqueçam
têem um eterno amigo

me desencoraje primeiro
me diga toda verdade
pois nem ainda o mundo inteiro
saberia a metade
do que passa em meu coração
e para você meu amor
é que escrevo essa canção

Existe fim para essa poesia
Em algum lugar qualquer haveria?

fico então por aqui
não antes de abraçar
chorar e rir
sem antes te acalmar
voltar e vir
mesmo sem direção
com toda afeição
mesmo sem muita intenção
termino aqui essa canção





Hoje eu faço 35 anos
ontem mesmo eu tinha 40
e minha alma que me diz
que já não mais aguenta

é com muita força que bato
35, 20, 50
rasga, corta, massacra
arrebenta!

é suicídio
eugenia
todo forma de magia,
alquimia!

é a alma que se contorse
se debate
é todo dia algo estranho
eterno bate-e-rebate

não encontro minha alma gêmea
teria de ser uma por dia
não há alma que aguente
magia, eugenia, alquimia

metamorfose
que tudo dilacera
pois nunca fica completa
nem quando diminui,
nem quando acelera

tudo fica complexo
não existe ninguém com minha idade
são mais novos, são idosos
sobra minha alma em perplexidade

parece que sempre volto
a essa eterna adolescência
crises, perguntas, complexos
total ambivalência
minha alma não me pede dó
só um pouco de complacência
mas de mim tem sempre a resposta
em toda falta de paciência
e mais uma vez ela me diz
que não mais aguenta

amanhã quem sabe eu seja
o cara que sou de verdade
e volte a ter apenas os problemas
que assolam os da minha idade

e dê tempo pra cura
que em paz e em total bondade
pacientemente aguarda
a hora de me dar librerdade





quanto dessa desilusão ainda carrego
por becos que vago na vida
como um cego

a gente transforma isso tudo em vida
pra no final do beco descobrir
rua sem saída

e a imagem que não sai da cabeça
são desses tijolos e sua voz dizendo:
disso nunca se esqueça

e essa maldição ressoa como um eco
martelo que bate na mente
esse prego

e o silêncio vai se tornando em castigo
e a solidão que era boa
virando perigo

quanto da sua ausência ainda trago em mim
buraco negro de quem nada escapa
sem fundo, sem fim

e a gente transforma essa queda em diversão
se auto-enganando, esquecendo
que existe um chão

e essa certeza no fundo lateja
que o chão vai chegando, na esperança
que você lá esteja

por onde andas
nos momentos que vago por becos
por buracos que não acabam mais?
por onde andas
se me penso na frente
não vendo que estou sempre atrás?

onde está sua imagem
que me trazia alegria
pra me nortear nesse escuro?
Desisto!
é sempre a mesma resposta
no fim dessa via esse muro

e caminhando de volta
descubro o caminho que nunca passei
esperando como quem nunca espera
uma sentença num mundo sem lei



parece que está tudo tão claro
mas é a escuridão que nos fascina
não o nascer do sol
mas quando declina

a esperança é coisa de tolos
viva o dia
e quanto mais mau
melhor seria
queremos tudo direto
não ao silêncio!
Sim a ladainha!

é o regozijo do tempo da queda
como se não houvesse chão a espera

a alma já não é humana
somos carne, somos pó
somos lama
nessa podridão
onde só se ama quem nos ama

esse amor mentiroso que engana
que não espera
não suporta
acaba mesmo, termina na cama

nosso chiqueiro existêncial
somos lavagem um do outro
essa "delícia" que nos inflama
somos porcos
somos lixo
somos lama
deveras
a alma não é mais humana

mas eu ainda tenho esperança
que no meio de tantos desalmados
ainda exista um remanescente
não feito de coisas
feito de gente
e apenas gente

dos muros que guardam as grades
nasce uma flor

de um coração quebrado
nasce ainda o amor

do céu cinza de fumaça e dejetos
e que escondem o horizonte
brilha o sol
que ilumina no final da cidade
o monte

de um coração cansado
nasce ainda uma fonte

das águas turvas de poluição da lagoa
a vida que insiste
ainda ecoa

num coração pobre e plebeu
ainda existe uma coroa

seja ela de ouro
seja de espinhos
a necessidade é a mesma
carinho



o sol que entra pela janela
as flores que crescem no concreto
as pessoas que vivem no deserto
ainda são as fontes da esperança
são como sorrisos de criança

o cantar do galo na cidade
os latidos dos cachorros pela madrugada
os gatos que brincam nos telhados
me dão a singela impressão
que ainda pode haver canção
canção que não fuja dessa simplicidade

o coração inquieto no peito
de alguma forma de saudade
me faz crer
que ainda existe vida na cidade

é que sou desses tipos estranhos
que se impressionam com futilidades
me interessa muito mais
um sorriso do que a brutalidade
o suor do que a facilidade

é que ando desacreditado
de tudo que me fizeram crer
casa-carro-dinheiro
mulheres, o mundo inteiro!

é que tenho tido contentamento
naquilo que é desprezado
os pobres-excluidos-viciados
e é assim que me sinto
e me sinto muito bem-obrigado

é que tudo anda perdendo o valor
se valor um dia tiveram
ando como quem anda pelo tempo
procurando como quem procura alento
mas encontra sempre vento

o cachorro, o gato, a flor, o sol
são a prova que nem tudo está perdido
e a Deus eu faço esse pedido:
que eu possa sempre me encontrar arrependido
já não me importo de ser esquecido
se para alguns sou querido
mesmo mal compreendido

que ele me faça andar
não como quem anda no tempo
mas com o pé e alma na eternidade
para ver se ainda posso levar alguns a crerem
que existe um pouco de vida na cidade





Ao ir embora
não feche as portas................Por todas estradas tortas
e nem olhe prá trás

Ao ir dormir
não lembre de nós..................Por todas as horas a sós
não lembre de mim

Feche os seus olhos
lembre-se existe algo..............Por mais incrível que pareça
não se esqueça

Mundo novo
mundo velho
se renova a cada manhã.............E mesmo que seja ilusão
as vezes não acompanho.................tenho conhecido
seu rítmo, e por isso
pareço perdido

Ao voltar, não
não olhe pra baixo.................Em tudo se desculpe
e também não se preocupe

Nada será igual
e estranhamente fico feliz
por isso se renova.................E agora será sempre assim
e nunca poderá existir................vida nova assumiu
O que era eterno o Eterno
destruiu



sou um poeta louco
eu juro que nunca quis assim
no desespero que me cerca
encontro tempo e espaço
pra consolar quem espera em mim

mas e eu, o que sobra?
ou será que há sobras?
me gasto nos outros
e os outros se refazem de mim

passo por momentos egocêntricos
de poemas que só falam do meu eu
mas será que houveram outros
poemas em que falei de alguém?
quando falo dos outros
falo de mim também

é que ando sentindo saudades
desses pedaços que dei
se os terei de volta um dia...
sinceramente não sei

pareço mais um mosáico
ou melhor
um chão formado por cacos

o que ainda me dá alegria
é que de certa forma
mesmo a cada pedaço que falta
ainda existe harmonia

há quem diga que minha beleza
provém desse desenho
que se forma a cada dia
que encontro tempo no espaço e espaço no tempo
para tirar de mim mais uma fatia
e doar pra quem em prantos me diz que precisa

mas em dias como este
eu pareço um cachorrinho
que implora por uma migalha
queria que alguém ajuntasse
minh'alma que em pedaços se espalha

mas é só mais um dia
e como eu sempre digo
não existe "se"
e se existir...
desculpem-me, não acredito

é só mais um dia
e nesses dias
sou mesmo cacos
não me refaço

é que nesses dias
fico nu, pelado
tenho pouca paciência
sou mesmo cacos

desisto!
ou a vontade é de desistir
mas ainda tenho que arranjar forças
para tirar mais pedaços de mim

vai se aproximando o dia
em que nem mais cacos serei
acho que somente nesse dia
serei quem sou que sei

e desnudo daquilo que podia dar
me dê agora por inteiro
sem pedaços que tampam
o que é realmente verdadeiro

difícil, eu sei, vai ser
achar quem queira
alguém que foi desprovido da vaidade
desse mundo que nos rodeia
que ache beleza na nudez
dessa alma que devaneia
pois ainda está em cacos
e ainda me restam pedaços
que cobrem minha vida verdadeira



eu queria explodir
e consumir num incêndio
eterno dentro de mim

que fosse fogo por fogo
ardendo aqui dentro
eterno e sem fim

mas do lado de fora
o gelo consome
nenhuma fagulha
que queime um capim

nenhuma lareira
nem fósforo
nem vela
é só vento que corta
é tão frio assim

oxalá esse poema fosse
coquetel molotov
incendiário
que te queimasse
como queima em mim

talvez assim sairia
desse casulo de gelo
e de amar tanto o espelho
e não procurasse em meu eu
pedaços inteiros de ti

e voltasse pra casa correndo
como menino pequeno
que morre de medo
sabendo que seu lugar é aqui

e parasse de ter alegria
no liquido que escorre do peito
da cor de carmim

essa lava de hemoglobina
que sai da minha bomba, turbina
e só serve pra te dirvetir

eu queria explodir por inteiro
e derreter todo gelo
que me separa de ti

esse vulcão que sou tão dormente
que revolve em fúria ardente
aqui dentro de mim

talvez mais um ou dois terremotos
que me abalem por inteiro
faça jorrar tanta fúria
que é esse amor que guardo por ti

e do gelo só fique a memória
e que no fim dessa história
a gente seja feliz




sempre tão distraido
por entre as ruas andei
não vejo carros e rostos
percebo só o que eu não sei

sempre dormindo acordado
por entre asfalto e dor
a multidão vai passando
são como clones, são robôs

sentindo sempre a pequenez
de ser mais um cidadão
num emaranhado de gente
que parecem sem alma, sem coração

ao mesmo tempo me brota sempre
uma estranha percepção
de múltiplos universos contidos
em cada olhar, em cada visão

para onde vou
para onde estou indo
para onde vai a multidão?
nesse caos organizado
pedra, concreto e coração
para onde eu vou tão distraido
que não percebo quem sou?
me sinto parte da massa
a parte que mais tem sabor

a cidade anda apressada
e a pressa paralisa a cidade
parece uma boiada
fugindo de um caçador
sem guia, sem um pastor

e eu que ando tão distraído
sou sempre atropelado
por olhares que não olham
e pedidos dos pedintes
que hoje não mais imploram
só repetem a prece
nem eles mais importam
quem é a alma que se compadece
e repetem logo mais uma prece
"Deus te pague"
e ninguém mais agradece

Sou sempre atropelado
é que me prendo a detalhes
é que ando tão distraido
sofrendo de quem não sofre os males

a cidade anda apressada
e eu ando cada vez mais distraído
com sua pressa obstinada
de desejos de anjos caídos

a pressa aumenta
e a cidade continua parada
não são mais indivíduos
são uma grande massa

ninguém está a favor de ninguém
servem cada qual sua própria lei
e eu que vivo sem lei
anestesiado pela distração que aumenta
também não sirvo a ninguém

a cidade anda apressada
de desejos, suor e canseira
anda cada vez mais paralisada
pelo desejo que tanto deseja

e eu que ando tão distraído por fora
por dentro sou como a cidade
mas ando na contramão
me esvaziando da ansiedade
deixando pra trás a vaidade
pra ver se encontro o descanso
que tanto procura a cidade



Vai sorrindo a vida
e prosseguindo mais um dia
não sabe as marcas que deixa
nessa grande e dura via

Um dia quem sabe ela sinta
no coração os calos feitos
e mesmo triste e sorrindo
dando o melhor e não sendo perfeito
ache por esse caminho
alguém do meu jeito

Ó vida, tão bela, injusta
que não sabe escolher as estradas
que machuca quem mais te ama
e mexe em feridas não curadas
escolhendo sempre palavras erradas
destruindo sonhos em uma só tacada
enfiando estacas nas mãos desgastadas

Bem vida
companheira inseparável
eu confio que um dia acerte o caminho
o inimaginável
e as cicatrizes que ficaram em mim
sejam uma lembrança memorável
de um tempo sofrido e bem vivido
e que me levou ao esperado
o tempo ao seu lado



Filme em preto e branco
Cores já sem vida
que lembram a todos
a roupa desgastada de alguém

O chão trincado
e aquele rio secando
a todos lembram
nada mais que o nada

A ferrugem
e as ferrovias
a todos lembram
lugares desconhecidos

Abandonada
e vazia
lembram a muitos
a casa que já tiveram

Olhar por entre o vidro
e aquela curva a esquerda
te lembram muitos...
muitos... muitos...

Parar e respirar
só é o agora
e não se assuste
se você não lembrar




A dor é sempre única
Ninguém as sabe nem saberá
Ninguém pode dizer que sabe a de outrém
Ninguém, sim, ninguém

Me perdoem a intromissão as vezes passional
Me perdoem o veredicto sempre irracional

Ninguém pode dizer que já as viveu
Que já as passou
É única sempre a solidão, é único o sofrimento
É único o lamento

Não me levem por consideração as vezes que intervi
Não levem em conta o que não vivi

O amor tambem é sempre único
Não me creiam se dizer que o sei
É tão único quanto a dor
Não me ouçam quando digo sobre amor

Me absolvam por dizer por vezes que o sei
Não me condenem pelas torpes palavras que falei

Amigos
A vocês dedico esse tributo como apelação
Como mera e singela petição
Que denuncia meus erros e implora seu perdão

Que me ouçam daqui pra frente
Tão e somente em minhas proprias lamentações
Pois pobre que sou
Quem conheceu ou conhecerá os corações?

Que me consolem com seu choro irmão
Ou com silêncio reverente
Que me poupem das palavras
Que me poupem o coração
Caminhem comigo
Dadas as mãos
Que olhares falem mais
Que suspiros digam tudo
E que em meus delirios se façam mudos

É minha súplica
E que para ela não haja aqui e nem em nenhum lugar réplicas





Eu já fui quem fui
Hoje ninguém mais sabe de mim
A não ser poucas pessoas
Que não vêem no meio o fim

Confesso que em certo lugar me perdi
e vetígios daqueles caminhos
em resquícios
ainda permanecem em mim

Mas a essência permaneceu intacta
e agora sendo eu novamente
só enxergam a mascára
O que posso fazer
para recuperar minha imagem exata?

Ah! As pessoas importam
importam tanto com o que passado foi
Vendo nos outros um espelho
um sinal sempre vermelho
que as impedem de mudar
Ah! As pessoas não acreditam

Eu já fui quem fui
hoje sou quem sou
mas olhando para trás
ainda sou quem sempre fui





rarefeito
falta de oxigenio
é esse o efeito
pra quem prova esse veneno

rarefeito
tonturas e vertigem
é esse o efeito
pra quem inala essa fuligem

rarefeito
pensamento neutro e lento
é esse o efeito
falta de sentimento
é esse o efeito
a mentira em desalento
a verdade em constrangimento


E a mente em egoísmo
nem vontades sente mais
reage agora por instintos
na ânsia de quem procura
e nunca encontra a paz

Rarefeito
a morte em lentos passos continuos

Rarefeito
a falta do essencial

Rarefeito
o desespero que domina
a mente que em devaneios alucina
na vontade alucinógena de respirar

Inspira
Expira
se si pudesse assim pensar
seria então, única saída
para voltar a respirar

Inspira
Expira
Uma voz que vem guiar
te ensinando em passos lentos
o que quando criança aprendera a dominar

Inspira
Expira
se entregue totalmente a quem queira te salvar
talvez assim volte ao real
e reaprenda a respirar

E a realidade volte a ser
das coisas fundamentais
simplicidade extremada
cumplicidade dos casais
vida pacata e regalada
partilhada com os iguais
e também com os diferentes
que saiba se ver contente
no castelo ou no hospital
na extravagancia ou trivial

Rarefeito
a doença das alturas
Respirar
essa é a sua cura
que só podera ser sentida
Quando a pretenção do ser acabar



Fico fora
e mesmo assim
nada demora
a vir

Vem ao encontro
Sem saber porque
e depois que desmonto
encontro você

Fica tudo claro
claro demais pra ver
e tudo que era raro
pareço então saber

A distância que existe
se encurta
e em tudo que faz persiste
e a felicidade furta

Fico fora
mas nem sempre por inteiro
pelo menos, e sempre em alguma hora
sou eu o anseio

Está fora
sem cogitação
e mesmo assim gasto palavras
embora não queira o coração





Meus olhos, estranho
andam me pregando peças
Logo eles em quem tanto confiava
me fazem mais essa

Minhas pernas, estranho
me levam para outros lugares
Logo elas que eram minha firmeza
me deixam perdido entre outros milhares

Minha boca, estranho
nem diz mais o que quero
nem sente mais o teu gosto
nem recebe o que espero (teu beijo)

Minhas mãos, estranho
não sabem mais o que pegam
Logo elas que pintaram e tocaram teu rosto
nem sentem os espinhos que a tempos carregam

Meu amor, quem diria
não sei se ainda o tenho
envelheceu prematuro, em poucos longos dias
nem guarda mais os desenhos
que a vida outrora ensina
nem sabe mais se é amor
lágrima que dos olhos rumina
que se confunde com dor
que se afoga em rancor





Menina clara
dos olhos claros
menina doce
de jeito raro

Você é para mim
um mar de inexplicáveis delírios
Você é para mim
paraíso e abismo

Pois em você paira sim
um infinito sem par de doçuras
e na ânsea de te agradar
estão meus erros e loucuras

Oh menina clara
de olhos tão singelos
você para mim é tão tudo
que no universo não há paralelos

Não faças de mim seu jogo
não faças de mim seu brinquedo
pois em ti perder
reside todo meu medo

Oh menina em que deposito
um amor sem igual
sejas para mim tudo
muito mais bem do que mal





quero tudo que é pesado
tudo que é sujo e putrefato
toda a escória
todo o horror da história
todas as mortes desnecessárias
todo ser vacilante
todo perdido e errante
todo vexame sem causa
todas as causas inúteis

quero as almas penadas
os lugares mal-assombrados
os pántanos
os brejos
os lugarejos
o escuro das cavernas
os desejos não realizados
as multidões
os esgotos
os poços sem água

Quero a sede
a fome
as angústias
o pânico

quero discórdia
facção
quero desconcertos
desacertos
decepção

quero o frio
o desgosto
o desassossego
as fobias
o medo

quero a fornalha
a espada
a adága
a navalha

quero o sorriso desconcertante
quero-o mais que as lágrimas
quero sentir gastura
de todo som irritante

quero pesadelos
e te-los bem acordado
quero toda dor
e des-zelo
ciúmes
maltratos

quero o vácuo
o vazio
as profundezas dos mares
as margens assoriada dos rios


nenhuma subserviência
maldade
quero inexistência





Ter fome de se sentir vazio
de um vazio cheio de sentido

Ter coragem de adimitir o medo
o medo de nunca ter coragem

Ter sede dos desertos
desertos que saciam a alma

Chorar a falsa felicidade
Felicidade que nos entristece

Se enriquecer de pobreza
pobreza que nos enche de glória

Encher-nos de silêncio
silêncio que sempre nos fala mais

Esvaziarmos-nos da plenitude
essa plenitude de nada

Para ver se vemos
nesse escuro insólito
Para ver se descansamos
nesse fatigoso dia
e se retornamos
nessa estrada de mão única - vida -





Fala vazia
Sala vazia
Sala cheia de fala vazia

Milhões de palavras
sobre o que se faz ou fazia
A sala esta cheia
cheia de gente vazia

E eu aqui dentro
que ironia!
Enchendo a sala e minha mente
com essas palavras vazias

Entra e sai
Sobe e cai
não importa o termo, a estrada ou a via
importa que quanto mais gente
mais a vida fica vazia

Qual o seu nome?
Seu nick, seu apelido?
Seus albúns cheios de fotos
de momentos alegres perdidos

Que te adiciono
e em três minutos somos melhores amigos
você agora é VIP
está nós meus favoritos

E o perfil lotado
lotado de gente vazia
que enche de nada e vácuo
nossas vidas todo dia

A sala está cheia
de minhas palavras vazias
soltas ao relento
nessa virtual-via
enchendo minha fala
com essa idéia vazia

Fala vazia
Sala vazia
O que se faz ou fazia
A vida ainda vazia

É obviedadde, nem tanto ironia

É o galardão da tecnologia

É nosso futuro
morrer cheios de amigos
todos dentro dessa sala vazia
Morrer desse mal
essa síndrome sem nome
ainda sem terapia





Que saibam todos
que só existe o hoje-agora
Que não existe o "se"
ou mesmo o "outrora"

Que saibam todos
a apreciar sua própria história
Sem desalento de um passado impossível
sem auto-tortura da memória

Como se fosse possível
alterar o que passado foi
Olhando para trás
com a decadente ilusão
que a mudança do que jaz
seria saída e solução
para o presente-futuro que se escancara
com a formidável possibilidade de reformulação

Hoje desconheço
o sentimento de quem se afoga no passado
Nas águas que já passaram
e não têem mais poder de matar

Seria necessário que todos soubessem
mas não creio que saberão
que é pelo que já passaram
que hoje são o que são

E ao invés de amargura
fizessem uma releitura
de tudo que se passou na vida
e tirassem proveito
não só dos encontros
mas também das despedidas
não só das alegrias
mas também das agonias

Que saibam todos
que o "se " é o engodo
a mais atraente armadilha
é deserto
é solitária ilha

E que isso vire grito
que vire clamor nas mais altas montanhas
nos abismos mais íntimos de cada ser
Que vire pilar , coluna
de um novo dia que começa a nascer

O dia chamado Hoje
nossa única chance de mudança
O dia eterno que nunca acaba
O dia chamado Hoje.
Hoje.



Nem tudo que quero
eu posso ter
Pois, as vezes quero
coisas tão pequenas
que as pessoas não iriam entender

Nem tudo que escrevo
as pessoas querem ler
Pois, as vezes escrevo
coisas tão minhas
que as pessoas não iriam querer saber

Eu quero ver
ver todos vendo como eu
E nem sei mais se quero
e o que quero

Nem tudo que é meu
é bem meu
Nem sei se alguma coisa é minha
Nem sei mais o que tenho
mas mesmo assim
me empenho
para ser de alguém
Pois se já não tehno, que alguém
me tenha e me complete
e me dê valor e me faça feliz
e se me dê para que eu a tenha



Me parece a cada dia
que por mais que eu não queira
existem coisas que já nascem decididas
como encontros e despedidas

E por mais que as madrugadas
testemunhem o esforço repetido
fica sempre mais uma vez decidido

E nem adianta tentar reverter
A sina continua e o melhor é fingir
Assim a gente se tem em mentiras verdadeiras
que so se tornam mentiras nas horas derradeiras
Em que não podemos esconder nossas diferenças
Em que encaramos a verdade com a dureza devida
E com suspiros "dureza de vida..."

Não sou teu, nunca serei
sou tão seu, como errei...

Estar com você
é poder ter por instantes efêmeros
seu olhar

E as madrugadas registram no tempo
uma história que nem deveria ter começado
e agora teima em não acabar
Também você tinha que se tão você
e eu? Porque teria a chave de seu ser?

As madrugadas eternizam aquilo
que nunca deveria ter acontecido
e eu sei que essas ruas nunca mais serão as mesmas
nem as praças, prédios, carros...
são testemunhas...

Encontros-despedidas
Foi assim, e é assim que tem de ser...



somos mal interpretados, não temos uma boa reputação, não buscamos aprovação, não concordamos com o mal, não retemos o bem, somos muito amados por uns e uma eterna interrogação para muitos, somos confusos para alguns, somos daqueles que se constragem com o amor, respeitamos todas as opiniões, temos certeza da verdade, não marcamos hora, não temos horário de chegar, somos poucos, mas, sempre estamos por ai, e que nos desculpem aqueles que acham que na voz da maioria está a razão.