Quase piegas

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012






Eu vou aonde você quiser
atravesso o mundo
eu vou a pé

Largo o conforto
pois sei que nem morto
posso te esquecer

E mesmo ainda se você não quiser
eu vou ser seu
e sempre um pedaço do meu eu
vai te querer

Fale qualquer coisa
não fique assim
mais uma vez calada
porque desde que se foi
minha vida anda parada
esperando um telefonema
uma chance mesmo que pequena
de te encontrar

E vou, só me fale o lugar
largo o serviço
todos os vícios
apago agora meu último cigarro
entro agora no carro
e vou te encontrar
deixo as montanhas, as serras
diga que ainda me esperas
pois meu coração
que anda aos pedaços
refez todos os passos
que agora meus pés querem dar

Fale agora, não espero
nem mais uma hora
pra ir te encontrar

Todas as mortes

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012



Eu morri hoje
Sucessivamente
morte e renascimento
e mesmo assim
eu nunca mais te encontrei


Morri todas as mortes
todas possíveis
e sempre ainda
ressurgi
fénix maldita que sou
queria de todas as formas partir


E todas as vezes que eu estive aqui
te procurei
na louca e incompreensível esperança
que você fosse a vida
mas me arriscando em te procurar
gerava mais uma despedida
pensando que desta vez não voltaria
saída


Eu fui em todos os mundos
todos os tempos e eras
peregrinei em todas as dimensões
indo de eternidade a eternidade
nem tempo
nem idade
puderam me fazer te achar


Aonde estás meu amor?
Morrestes a morte que eu não posso?
viajastes na carruagem de fogo?
fora tomada?
morrestes a morte da vida?
estás aonde não é mundo
nem tempo ou eternidade?


Amor meu
será que procuro quem não existe mais
será que um dia exististes?
fora transformada em outro alguém?
será que fostes quem sonhei?
será que fostes mesmo real?

Morro todas as mortes
e de angústia em angústia
não acho um fim
é o desepero
a certeza do muro
a falta da porta
abismo sem fundo
sempre mas, no entanto, embora...
nunca enfim...

hi-fén

terça-feira, 31 de janeiro de 2012


Venal
mesmo assim venial
genial
mas boçal

humano
puro engano
fundo de pano
vai pelo cano

atroz
ainda assim um de nós

cruel
como um fiel

história
memória?

(contra-ditória
dita-tória)

informal
dos males o mau
e assim final

Fim de tarde quente

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012



qual o parâmetro de normal
quem decide
o que é estranho
o que é normal
o que é comum
pinga com limão
coca com rum

eu acho estranho que estranhem
qual enfim é a estranhesa?
todo dia café na mesa
ou sempre uma sobremesa?
quem decide o que é beleza?
o que é feiura?
não seria tudo isso loucura?
mas afinal, o que é loucura?

Acho em dias
todos idiotas
corredores em busca do vento
e eu em busca de alento
aumento ainda mais meu sofrimento
acabo eu correndo atrás do vento
sem lenço
sem documento

essas perguntas
na verdade são retóricas
não querem respostas
eu não iria querer saber as respostas
eu me sentiria um idiota
e é assim que me sinto
não minto
por ter proposto essas perguntas
é uma grande bagunça
eu queria uma só solução
mas a solução é a própria confusão

e chego derrepente a mais um final
sem ao menos entender o que queria dizer
seria este meu mal?
sem respostas me sinto bem
e amanhã, o que vem?
um feriado?
natal?
estamos em janeiro
falta ainda um ano inteiro
carnaval!
fevereiro
quintal
terreiro
e eu aqui no serviço
tenho ainda meu cigarro
e o chão como cinzeiro

Que desce dos olhos

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Siga este caminho de dor
deixado no rosto
Siga este caminho
movido pelo amor
Siga este caminho
que apaga o semblante
e em um curto instante
espelha a morte
Siga este caminho triste
marcado nos olhos
Siga este caminho
que a tempos existe
Siga este caminho
que desfalece o corpo
que deixa quase morto
sem forças pra lutar



Siga este caminho
que as lágrimas
cravaram na face
e que nem serve de disfarce
para tentar te enganar
Siga este caminho
que desce dos olhos
que leva a boca
esse amargo gosto
que foi imposto
por palavras sem medidas
nesse caminho de dor
medido por amor

Outras coisas

terça-feira, 10 de janeiro de 2012



Então
não vamos falar de amor
tudo isso por uma mulher
vamos falar de futebol
política
mas também não vamos falar de religião

Vamos falar de coragem
de medos e neuroses
será que só serão se forem de amor?

Vamos nos calar
e assim descobrir
que por mais que tenhamos
agora não temos nada a falar

vamos conversar
sobre qualquer coisa
que se pareça com futilidade
falar sobre o universo
sobre sobre o clima
corrupção
doenças, curas, televisão

Me conte uma piada
me faça perguntas
me deixe entre a cruz e a espada
solte uma gargalhada

me fale do seu emprego
da sua escola, da sua casa
da sua família, dos seus amigos
da sua história
riscos,perigos
me fale de suas pintas
do seu umbigo

Me diga qualquer coisa
que não seja de amor
tudo menos paixão
de uma festa, do bolo
de um velório, caixão
em que padaria você compra pão

do trânsito, do ônibus
se seu carro precisa de revisão
me fale de tudo
so não me fale daquela menina
me fale de música
tropicalismo, bossa, clube da esquina
me fale de cravos, me fale de espinhas

Hoje um prédio caiu
você viu aquela construção?
me fale, ou se cale
só não diga
nem balbucie uma só palavra
nem um só refrão
sobre amor