Eles dizem: O mundo dá voltas, e numa dessas você se ferra!
Dizemos: O mundo dá voltas, e se sou dos que percebem, farei de tudo pra quando chegar a sua hora eu esteja lá pra te salvar.
sempre tão distraido
por entre as ruas andei
não vejo carros e rostos
percebo só o que eu não sei
sempre dormindo acordado
por entre asfalto e dor
a multidão vai passando
são como clones, são robôs
sentindo sempre a pequenez
de ser mais um cidadão
num emaranhado de gente
que parecem sem alma, sem coração
ao mesmo tempo me brota sempre
uma estranha percepção
de múltiplos universos contidos
em cada olhar, em cada visão
para onde vou
para onde estou indo
para onde vai a multidão?
nesse caos organizado
pedra, concreto e coração
para onde eu vou tão distraido
que não percebo quem sou?
me sinto parte da massa
a parte que mais tem sabor
a cidade anda apressada
e a pressa paralisa a cidade
parece uma boiada
fugindo de um caçador
sem guia, sem um pastor
e eu que ando tão distraído
sou sempre atropelado
por olhares que não olham
e pedidos dos pedintes
que hoje não mais imploram
só repetem a prece
nem eles mais importam
quem é a alma que se compadece
e repetem logo mais uma prece
"Deus te pague"
e ninguém mais agradece
Sou sempre atropelado
é que me prendo a detalhes
é que ando tão distraido
sofrendo de quem não sofre os males
a cidade anda apressada
e eu ando cada vez mais distraído
com sua pressa obstinada
de desejos de anjos caídos
a pressa aumenta
e a cidade continua parada
não são mais indivíduos
são uma grande massa
ninguém está a favor de ninguém
servem cada qual sua própria lei
e eu que vivo sem lei
anestesiado pela distração que aumenta
também não sirvo a ninguém
a cidade anda apressada
de desejos, suor e canseira
anda cada vez mais paralisada
pelo desejo que tanto deseja
e eu que ando tão distraído por fora
por dentro sou como a cidade
mas ando na contramão
me esvaziando da ansiedade
deixando pra trás a vaidade
pra ver se encontro o descanso
que tanto procura a cidade
Vai sorrindo a vida
e prosseguindo mais um dia
não sabe as marcas que deixa
nessa grande e dura via
Um dia quem sabe ela sinta
no coração os calos feitos
e mesmo triste e sorrindo
dando o melhor e não sendo perfeito
ache por esse caminho
alguém do meu jeito
Ó vida, tão bela, injusta
que não sabe escolher as estradas
que machuca quem mais te ama
e mexe em feridas não curadas
escolhendo sempre palavras erradas
destruindo sonhos em uma só tacada
enfiando estacas nas mãos desgastadas
Bem vida
companheira inseparável
eu confio que um dia acerte o caminho
o inimaginável
e as cicatrizes que ficaram em mim
sejam uma lembrança memorável
de um tempo sofrido e bem vivido
e que me levou ao esperado
o tempo ao seu lado
Filme em preto e branco
Cores já sem vida
que lembram a todos
a roupa desgastada de alguém
O chão trincado
e aquele rio secando
a todos lembram
nada mais que o nada
A ferrugem
e as ferrovias
a todos lembram
lugares desconhecidos
Abandonada
e vazia
lembram a muitos
a casa que já tiveram
Olhar por entre o vidro
e aquela curva a esquerda
te lembram muitos...
muitos... muitos...
Parar e respirar
só é o agora
e não se assuste
se você não lembrar
A dor é sempre única
Ninguém as sabe nem saberá
Ninguém pode dizer que sabe a de outrém
Ninguém, sim, ninguém
Me perdoem a intromissão as vezes passional
Me perdoem o veredicto sempre irracional
Ninguém pode dizer que já as viveu
Que já as passou
É única sempre a solidão, é único o sofrimento
É único o lamento
Não me levem por consideração as vezes que intervi
Não levem em conta o que não vivi
O amor tambem é sempre único
Não me creiam se dizer que o sei
É tão único quanto a dor
Não me ouçam quando digo sobre amor
Me absolvam por dizer por vezes que o sei
Não me condenem pelas torpes palavras que falei
Amigos
A vocês dedico esse tributo como apelação
Como mera e singela petição
Que denuncia meus erros e implora seu perdão
Que me ouçam daqui pra frente
Tão e somente em minhas proprias lamentações
Pois pobre que sou
Quem conheceu ou conhecerá os corações?
Que me consolem com seu choro irmão
Ou com silêncio reverente
Que me poupem das palavras
Que me poupem o coração
Caminhem comigo
Dadas as mãos
Que olhares falem mais
Que suspiros digam tudo
E que em meus delirios se façam mudos
É minha súplica
E que para ela não haja aqui e nem em nenhum lugar réplicas
Eu já fui quem fui
Hoje ninguém mais sabe de mim
A não ser poucas pessoas
Que não vêem no meio o fim
Confesso que em certo lugar me perdi
e vetígios daqueles caminhos
em resquícios
ainda permanecem em mim
Mas a essência permaneceu intacta
e agora sendo eu novamente
só enxergam a mascára
O que posso fazer
para recuperar minha imagem exata?
Ah! As pessoas importam
importam tanto com o que passado foi
Vendo nos outros um espelho
um sinal sempre vermelho
que as impedem de mudar
Ah! As pessoas não acreditam
Eu já fui quem fui
hoje sou quem sou
mas olhando para trás
ainda sou quem sempre fui