
Se passaram muitos anos desde então
não cronológicos
mas metafóricos
mesmo assim reais
e tais
anos foram longos
ditongos
sem fim
Dentro de mim
envelheci
algumas
não apenas uma
vezes
morri
E ainda assim
com forças
e forcas
muitas vezes
renasci
De volta agora
nessa hora
ao passado
de humor
bem humorado
me sinto engraçado
e agraciado
por ver
que cada um de vocês
guardaram
e guardam ainda
entre voltas e vindas
um sentimento
quase que ciumento
pela nossa amizade
E é verdade
que a felicidade
essa nossa
não me deixa vê-los como estranhos
pois apesar dos anos
e de tudo mudado
ainda trago guardado
no peito
de cada um, seu jeito
e a certeza
que tudo isso
por mais incrível
e efêmero que pareça
ficará aqui dentro
e direi que me lembro
em mais uma década
que passe
sem empasse
que jamais me esquecerei
de nenhum
nenhum mesmo
de vocês

A dor é sempre única
Ninguém as sabe nem saberá
Ninguém pode dizer que sabe a de outrém
Ninguém, sim, ninguém
Me perdoem a intromissão as vezes passional
Me perdoem o veredicto sempre irracional
Ninguém pode dizer que já as viveu
Que já as passou
É única sempre a solidão, é único o sofrimento
É único o lamento
Não me levem por consideração as vezes que intervi
Não levem em conta o que não vivi
O amor tambem é sempre único
Não me creiam se dizer que o sei
É tão único quanto a dor
Não me ouçam quando digo sobre amor
Me absolvam por dizer por vezes que o sei
Não me condenem pelas torpes palavras que falei
Amigos
A vocês dedico esse tributo como apelação
Como mera e singela petição
Que denuncia meus erros e implora seu perdão
Que me ouçam daqui pra frente
Tão e somente em minhas proprias lamentações
Pois pobre que sou
Quem conheceu ou conhecerá os corações?
Que me consolem com seu choro irmão
Ou com silêncio reverente
Que me poupem das palavras
Que me poupem o coração
Caminhem comigo
Dadas as mãos
Que olhares falem mais
Que suspiros digam tudo
E que em meus delirios se façam mudos
É minha súplica
E que para ela não haja aqui e nem em nenhum lugar réplicas