O diabo que me perdoe
Mas essa alma
ele não leva não
Tentar faz tempo
que ele tenta
Mas sou teimoso
Filho da brasa
e desse chão
E desconfio
quase confio
que às vezes o coitado
fica surpreso
dos vacilos
e dos tropeços
de como entrego
a bola
em sua mãos
Mas fica esperto
que sou ligeiro
é caipirinha
com esse limão
Eu tô na roda
mesmo sem swing
mas com batuque
no coração
o sangue que corre
aqui nessa veias
é do asfalto
é do capão
Não sou malandro
longe de mim
mas sou matuto
sou bobo não
das muitas quedas
que me quebraram
além da dor
levei lição
virei bambú
eu vou com vento
não fiquei duro
apesar dos murro
hoje me esquivo
quem vira estaca
morre no chão
E o segredo
que não me esqueço
o que me guarda
não dorme não
e quando dorme
eu logo grito
mesmo no olho
do furacão
ele acorda
o vento acalma
a minha fé
menor que um grão
e o diabo?
nem tem diabo
só tem o mar
imensidão!