O diabo que me perdoe 

Mas essa alma 

ele não leva não

Tentar faz tempo

que ele tenta

Mas sou teimoso

Filho da brasa

e desse chão


E desconfio 

quase confio

que às vezes o coitado

fica surpreso

dos vacilos 

e dos tropeços

de como entrego

a bola

em sua mãos

Mas fica esperto 

que sou ligeiro

é caipirinha

com esse limão


Eu tô na roda

mesmo sem swing

mas com batuque

no coração

o sangue que corre

aqui nessa veias

é do asfalto

é do capão


Não sou malandro

longe de mim

mas sou matuto

sou bobo não

das muitas quedas

que me quebraram

além da dor

levei lição

virei bambú

eu vou com vento

não fiquei duro

apesar dos murro

hoje me esquivo

quem vira estaca

morre no chão


E o segredo

que não me esqueço

o que me guarda

não dorme não

e quando dorme

eu logo grito

mesmo no olho

do furacão

ele acorda

o vento acalma

a minha fé

menor que um grão

e o diabo?

nem tem diabo

só tem o mar

imensidão!


 A vida é uma gangorra

vezes para baixo

vezes para cima

me diziam outro dia


Mas eu sei

quem empurra é o diabo

nosso lugar é aqui embaixo

parados (?)

onde fica o dia-a-dia


E me diziam

fica calmo

não se exaspere

logo-logo ela sobe


Deus me livre

da subida

euforia

quero a paz da quietude

sem embalo

na inércia

por agora

sobe e desce

nunca mais


A vida não é uma gangorra

e se na inércia eu não fico

não quero ser empurrado para cima

mas para frente

encarar o que vem

de frente

ele não me deu asas

mas pés

e assim vou






 Acaba logo desgraça 

Vai embora mau agouro 

Já te amei 

Já te amei 

Agosto 

Agosto 


Um inferno dentro do outro 

Um lago de fogo

Outro lago de fogo

Acaba logo 

Agosto

Agosto


Quantas vezes mais

Você quer que eu morra?

E eu morro

Eu morro

Eu morro

Que o diabo te carregue

Agosto 

Agosto 


A maldição é saber

Que os inimigos 

Não podem sofrer o que sofro

Havia um alçapão 

Abaixo do fundo do poço 

E lá tu estavas ainda

Agosto 

Agosto 


E se ainda respiro 

E pior 

Escrevo 

E ainda me movo

É porque não vencestes jamais

Agosto 

Agosto






Quando a saudade for grande demais
Maior do que se pode aguentar
Quando saudade for
e apenas for saudade o que restar
Que não seja estranho o fato
de eu continuar aqui
e de parecer que aqui está o que sempre é

Quando de saudade não aguentar
Pois pode parecer que a vida se foi
e o que resta é viver de lembranças
Não se engane
Eu continuo aqui
Pra continuar
Pra viver o que ainda não vivemos
E pra caminharmos juntos até onde houver estrada.


Quantas e quantas vezes
eu tenho que me perdoar por dia
e não perdoar quem quer que seja
seria de todas a maior ironia (hipocrisia)

São pensamentos, sentimentos
atos, atitudes e em todo momento
sinto-me me perdoando
encontrando assim, alento

Não existe quem quer que seja
que possa ser pior que eu
e ainda assim me amo
a quem eu não amaria?

Minha arrogância, meu orgulho
todo minha impaciência
Se desfazem em seu amor
Me perdoo outra vez
pois antes me perdoou

Todas as minhas certezas
e todo meu eu
se relativizam
quando diante do seu amor sou posto
não sei se o que mais queria seria viver
ou estar morto
Não sei se a deriva
ou se em porto

E tudo o que me importo
deixo
e volto
E tudo o que eu gostaria
na vida
é mentira

Subverterdes todo o mundo
amas mais os vagabundos
são mais limpos os imundos

Os doentes são os sãos
feliz o contrito de coração
e a morte morreu
ressureição

E eu que choro por mim
não sei, ainda nada entendi

Eu me perdoo
e me perdoo outra vez
perdoei por certo toda a humanidade
está absolvida em mim toda a maldade
mesmo que eu colha por aqui seus frutos
já não os colherei na eternidade