Quantas e quantas vezes
eu tenho que me perdoar por dia
e não perdoar quem quer que seja
seria de todas a maior ironia (hipocrisia)
São pensamentos, sentimentos
atos, atitudes e em todo momento
sinto-me me perdoando
encontrando assim, alento
Não existe quem quer que seja
que possa ser pior que eu
e ainda assim me amo
a quem eu não amaria?
Minha arrogância, meu orgulho
todo minha impaciência
Se desfazem em seu amor
Me perdoo outra vez
pois antes me perdoou
Todas as minhas certezas
e todo meu eu
se relativizam
quando diante do seu amor sou posto
não sei se o que mais queria seria viver
ou estar morto
Não sei se a deriva
ou se em porto
E tudo o que me importo
deixo
e volto
E tudo o que eu gostaria
na vida
é mentira
Subverterdes todo o mundo
amas mais os vagabundos
são mais limpos os imundos
Os doentes são os sãos
feliz o contrito de coração
e a morte morreu
ressureição
E eu que choro por mim
não sei, ainda nada entendi
Eu me perdoo
e me perdoo outra vez
perdoei por certo toda a humanidade
está absolvida em mim toda a maldade
mesmo que eu colha por aqui seus frutos
já não os colherei na eternidade
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