Com pesar
a pesar
apesar
de todo esforço
gravidade
sobre o dorso
Pelas curvas
e para baixo
encurvar
o atrito
a me parar

Quando a saudade for grande demais
Maior do que se pode aguentar
Quando saudade for
e apenas for saudade o que restar
Que não seja estranho o fato
de eu continuar aqui
e de parecer que aqui está o que sempre é
Quando de saudade não aguentar
Pois pode parecer que a vida se foi
e o que resta é viver de lembranças
Não se engane
Eu continuo aqui
Pra continuar
Pra viver o que ainda não vivemos
E pra caminharmos juntos até onde houver estrada.
Quantas e quantas vezes
eu tenho que me perdoar por dia
e não perdoar quem quer que seja
seria de todas a maior ironia (hipocrisia)
São pensamentos, sentimentos
atos, atitudes e em todo momento
sinto-me me perdoando
encontrando assim, alento
Não existe quem quer que seja
que possa ser pior que eu
e ainda assim me amo
a quem eu não amaria?
Minha arrogância, meu orgulho
todo minha impaciência
Se desfazem em seu amor
Me perdoo outra vez
pois antes me perdoou
Todas as minhas certezas
e todo meu eu
se relativizam
quando diante do seu amor sou posto
não sei se o que mais queria seria viver
ou estar morto
Não sei se a deriva
ou se em porto
E tudo o que me importo
deixo
e volto
E tudo o que eu gostaria
na vida
é mentira
Subverterdes todo o mundo
amas mais os vagabundos
são mais limpos os imundos
Os doentes são os sãos
feliz o contrito de coração
e a morte morreu
ressureição
E eu que choro por mim
não sei, ainda nada entendi
Eu me perdoo
e me perdoo outra vez
perdoei por certo toda a humanidade
está absolvida em mim toda a maldade
mesmo que eu colha por aqui seus frutos
já não os colherei na eternidade
A sombra dos meus olhos
contra as luz dos olhos seus
contraste
homem
deus
A clareza da sua voz
a rouquidão dos gritos meus
a beleza dos seus gestos
a estupidez dos atos meus
a paciência de sua escuta
a surdez do ego meu
o seu silêncio reverente
tão sábio
a indiferença nas palavras
meus lábios
A luz onde não há
A luz
a luz
Das palavras tristes
que meu coração dizia pra mim
eu sempre pensei suportar
era como se eu dissesse a mim mesmo:
– o sofrimento é sua forma de viver
E dizia ainda
foi feliz
sofre o dano
encontrou o que poucos encontram
não reclame
E estar bem ao seu lado
me parecia
mesmo que inconscientemente
uma afronta a esse mundo que se deteriora
Eu me entregava
a todos
ninguém via
eu me acostumei com a ingratidão
pensei
nada pode penetrar a couraça de amor com a qual me revisto
Eu buscava a dor
como se ela me purgasse
e lavasse meus pecados
Pensei sair ileso
enquanto isso
meus olhos caíram
e as rugas surgiram
Ninguém viu
ninguém se importou