ao inverso
os olhos não se acustumam
complexo
e perplexo vou em frente

na contramão
vão passando rápido
em rota de colisão
mas vejo todos de frente

antagônico
a melhor opção
ser o melhor dos mundos
ser raso: eufórico
ser melancólico: profundo

universo
ao inverso nos meus versos
desdobro em membranas
desuno: multiverso

e reuno
todas as dimensões
em uma só palavra
de várias interpretações

vou andando
e meu pensamento
é a arma mais voraz
disposta e exposta
a um total rompimento

mas ainda assim
tão preso ao velho
e sempre mesmo mundo
do qual sou fragmento
me disfaço
me reinvento
as vezes como calor
as vezes como vento
as vezes como eterno
as vezes como momento
as vezes e sempre
como um utópico-verdadeiro sentimento









E se o passado
vem a tona?
A gente se pergunta:
O que fazer?
A gente se pergunta o porque...

A gente re-significa
e mesmo assim
não sabe se vai...
se fica...
e mais uma vez se complica

Seria mesmo necessário
esquecer...
mas no fim e enfim
ainda penso em você

Eu nunca sou tudo que sou
porque ainda uma parte
mesmo que hoje pequena
continua contigo
esse é o risco
o perigo
que ainda hoje levo comigo
e que me impede de arriscar
mesmo que seja
somente uma parte
uma parte pequena

Mas vamos em frente
pois não se sabe
se logo em frente
isso tudo possa mudar.
Vamos!
Foi sempre assim
e mesmo assim
exito em arriscar
mas vamos em frente
pois logo em frente
essa parte mude
pois mesmo pequena
acho que valha a pena
pelo menos tentar

O risco
O perigo
levarei comigo

E a despedida
essa parte (pequena)
da vida
deixo pra trás
deixo agora
(somente na memória)
deixo pra sempre
sigo em frente
pra não mais voltar










E a vida
como um decomposto
vai perdendo o gosto

E a vida
como um desencanto
se afoga e se seca em pranto

E a vida
alguém ainda se importa?
diz-se ainda vida -morta-

A vida
que não para e corre
diz ainda que é vida... e morre

A vida
que não vive, existe
e corre, não para
parece que não, mas desiste
e algo que a empurra
insiste, persiste
é a Vida que é Vida
e que quer da vida
que não vive, existe
a fazer ressurgir
da perdição vir
a Voz que é Palavra ouvir
e que tira do nada o sentido
pedra perfeita, simetricamente esculpida
que é vida.




Quantos seres humanos sós
e a sós eu sou mais um
não existe nada que me preencha
não existe nada
e do nada estou cheio


Que egoísmo!
E quanta ingratidão minha
mas na hora em que preciso
me desculpem meus amigos
estou só

Sou um eterno repetidor
que sempre repete
e vive de repetir-dor

Queria no agora ser nada
desse nada que me enche
não deixar saudades ou lembranças
queria agora ser nada
não ter saudades ou lembranças

Mas sou um repetidor

Que a saudade me invadisse
me dominasse
e que disso nascesse uma história
e que nela existisse amor
para que eu não mais repetisse esse caminho
nessa existência de dor

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Existe um medo
perder o controle
quem quer ser livre?

Persiste o medo
total controle
de quem? de si?

Não!
E quantas vezes
já o disse aqui!
Não!
Nem controle
nem liberdade
no máximo
pelos dois ansiedade
e assim caminha a humanidade
de vaidade a vaidade

E o medo?
Ah! Ele a gente esconde
nessa brutal e insana
vida de comparações
limando assim, a cada dia
o amor dos nossos corações