Ai que saudade
ai que saudade de você
Uma saudade inocente
Uma saudade de um tempo distante
que nem sei mesmo se vivi
pois pareço um viajente
que partiu e deixou o amor
e não levou recordações
ou mesmo perdeu todas elas

ai! porque não volta
você que está sempre aqui
porque nos separamos
porque?
se tanto amor ainda guardo por ti?

estarei sempre condenado
a viver de comparações?
sem você, as coisas são "quase"
quase iguais como eram com você

Não sei...
acho que fiquei estagnado
foi você quem partiu
partiu pra nunca mais voltar
e partiu pra sempre meu coração
levou consigo a maior parte dele
e deixou pra mim
a parte que é só saudades de ti

Sua pele
seus olhos
seu sorriso
Ai! É muita tristeza
mas aprendi a me consolar
e há dias que
quase me convenso que esqueci

Partiu e levou meu coração
por inteiro
pois a parte que tenho
é toda de ti

Partiu e não sei
se ainda guardas
o que levastes de mim
levastes meu coração por inteiro
e a parte que tenho
não faz mais parte de mim

Partiu
e o que fizestes
com o bem que te dei?
Se guardas não sei
mas será para sempre de ti

Ai que saudade que tenho
das ilusões que em torno de ti criei
se é verdade não sei
mas a saudade me ilude
e te amo
a cada dia em pureza
e em saudade suprema de ti

Sua pele
seu cheiro
o gosto que a boca guarda de ti
não sairão de mim jamais
te amo em saudade eterna
essa saudade
que agora e sempre
fará parte de mim





Não há poesia a se escrever
no estado que estou
apenas essa
e essa não é poesia

passa a noite, cai o dia
e hoje esse dia que parece noite
e nem ele foi capaz de me gerar
um pouco de melancolia

não há poesia na alegria
nem em sua falta completa
estou morno
de molho

bloqueios, ânsias, anseio
seu seio
argumentos, histórias, memórias
e no peito
um coração que não se sabe direito

Não há poesia nesses dias
mesmo que insista
e ela não apareça
esqueça
pois não há
apenas essa

e vencido mais uma vez
desisto
pois não há poesia
apenas e ainda
esse vácuo infinito





Que doce engano vivi
e vivo ainda agora
mais loucuras fiz
por medo de ir embora

Não sabia eu
que loucuras acabam nisso?
Sabia e não quis saber
desta verdade desde o início

Se pudesse voltar no tempo
se pudesse ouvir a razão
não seguiria e não sigo mais
meu enganoso coração

Meu coração
se ainda assim se pode chamar
não passa e nunca passou
de um moribundo a delirar
a fonte da vida dele secou
antes mesmo que dela
uma só gota eu pudesse provar

Que amargo desgosto agora sofro
desse engano que vivo e vivi
espero ainda encontrar la fora
a verdade que a vir tanto demora
pra ver se as doces fragrancias da morte
me envolvam em alguma hora





Seu amor me levou ao mais alto
e atordoado, perdi o chão
e acustumado com as núvens
tendo nelas a doce ilusão
de pisar no firmamento as alturas
fui perdendo a razão
e cedendo a loucura

E sem perceber fui perdendo as asas
que seu amor tão singelo me deu
fui caindo, caindo, caindo
e nisso foi-se indo
seu amor
o meu
você
meu eu

Tinha me tornado raso
enebriado de amor e alegria
cantava canções como o vento
embriagado com a luz do dia
e junto com essa melodia
eu me perdia
e me ia
rumo a chão dia-a-dia

O impacto
VIOLENTO!
cruel
sanguinolento
se foram as nuvéns
as alturas
as canções do vento

A realidade bateu nua e crua
e a morte anunciada sem choro nem vela
e assim, agora, sem ela
estou com meus pés em terra

De volta a verdade
ao mundo
me resignei a me tornar profundo
e cavava, descendo
pro fundo
aonde jazem
a sabedoria e o vagabundo

A sete palmos
pra dentro do chão
longe da multidão
das núvens
da vastidão
eu descia
rumo a solidão
procurando como quem prescruta uma mina
a espera do tesouro
um baú, cheio de ouro
onde a vida termina


O que enconteri foi saudade
não das alturas ou do vento
saudade de cada momento
que passei ao seu lado
as canções outra vez me surgiram
não como dantes, outrora
cantava novas canções
cantando dos segundos às horas
da falta que me fazes agora


E você
a quem eu perdi no tempo
andas por onde?
ao relento?
tens ainda como chão o firmamento?
ou encontrastes como eu a terra?


Você que sempre fora
a razão última da minha canção
que de saudade me dissolvo nas profundezas da terra
diga que ainda me espera
no abismo, nos céus, ou em outra qualquer dimensão
diga, para que mesmo
que eu não mais a veja
não perca a sabedoria
nem a fé, nem mesmo a razão
e viva pelo resto dos dias
aqui em baixo
rodeado com essa doce ilusão








Eu vou aonde você quiser
atravesso o mundo
eu vou a pé

Largo o conforto
pois sei que nem morto
posso te esquecer

E mesmo ainda se você não quiser
eu vou ser seu
e sempre um pedaço do meu eu
vai te querer

Fale qualquer coisa
não fique assim
mais uma vez calada
porque desde que se foi
minha vida anda parada
esperando um telefonema
uma chance mesmo que pequena
de te encontrar

E vou, só me fale o lugar
largo o serviço
todos os vícios
apago agora meu último cigarro
entro agora no carro
e vou te encontrar
deixo as montanhas, as serras
diga que ainda me esperas
pois meu coração
que anda aos pedaços
refez todos os passos
que agora meus pés querem dar

Fale agora, não espero
nem mais uma hora
pra ir te encontrar





Eu morri hoje
Sucessivamente
morte e renascimento
e mesmo assim
eu nunca mais te encontrei


Morri todas as mortes
todas possíveis
e sempre ainda
ressurgi
fénix maldita que sou
queria de todas as formas partir


E todas as vezes que eu estive aqui
te procurei
na louca e incompreensível esperança
que você fosse a vida
mas me arriscando em te procurar
gerava mais uma despedida
pensando que desta vez não voltaria
saída


Eu fui em todos os mundos
todos os tempos e eras
peregrinei em todas as dimensões
indo de eternidade a eternidade
nem tempo
nem idade
puderam me fazer te achar


Aonde estás meu amor?
Morrestes a morte que eu não posso?
viajastes na carruagem de fogo?
fora tomada?
morrestes a morte da vida?
estás aonde não é mundo
nem tempo ou eternidade?


Amor meu
será que procuro quem não existe mais
será que um dia exististes?
fora transformada em outro alguém?
será que fostes quem sonhei?
será que fostes mesmo real?

Morro todas as mortes
e de angústia em angústia
não acho um fim
é o desepero
a certeza do muro
a falta da porta
abismo sem fundo
sempre mas, no entanto, embora...
nunca enfim...