Que doce engano vivi
e vivo ainda agora
mais loucuras fiz
por medo de ir embora

Não sabia eu
que loucuras acabam nisso?
Sabia e não quis saber
desta verdade desde o início

Se pudesse voltar no tempo
se pudesse ouvir a razão
não seguiria e não sigo mais
meu enganoso coração

Meu coração
se ainda assim se pode chamar
não passa e nunca passou
de um moribundo a delirar
a fonte da vida dele secou
antes mesmo que dela
uma só gota eu pudesse provar

Que amargo desgosto agora sofro
desse engano que vivo e vivi
espero ainda encontrar la fora
a verdade que a vir tanto demora
pra ver se as doces fragrancias da morte
me envolvam em alguma hora



Meus pensamentos
Vão descendo, escoando
e se perdendo
Desaparecendo

Minhas memórias, eu sei
Já não são da realidade
um retrato fiel
São montagens e colagens
que me aliviam e me colocam
no meu imaginativo céu

Tudo é areia movediça e vendaval
Tempestade de areia e também no copo d'água
Que nos transtornam e nos sugam
Que nos envaidecem e nos pertubam

São esconderijos de madeira
e fortalezas de pedra
Que fazem dos momentos felizes ínfimos
e da tristeza eterna

Então me perco
Ou quem se perde é o pensamento?
Não sei!
Eu sou ele e ele sou eu
em vários momentos

Me acho num pedaço de memória
Não sei se é verdade
ou uma montagem ilusória

E é assim meu dia-a-dia
assim é minha história
Do passado um pensamento
Do futuro uma memória






tempo, tempo
prisão
fonte inesgotável(?)
de tristeza e ilusão

ah! que já não vejo a hora de faltarmes
de deixarme pra trás
ah tempo, de ninguém amigo
a tempos que nada de ti espero mais

há um lugar (será lugar?)
onde o tempo se esgotou
será que um dia nele penetrou?

Esse corruptor
cruel e atroz assassino
dilacerando a cada dia
minha antiga alma de menino
e transformado o que era puro
me levando a um caminho
que sempre acaba num muro

há um lugar (e onde está, se é que há?)
onde dizem nunca houve tempo
não existe coisa sem fim
onde não existe a frase: não me lembro
onde o todo e o unico são uno
onde o conhecimento é pleno

mas a realidade (será mesmo que é?)
é feita de tempo
segundos, horas, meses, milenios
passado, futuro, presente
arrebatando tudo que há em mim
sou a cada momento mais orfão, mais carente
um perdedor cada vez mais eloquente
a ilusão desse mundo descrente
o proprio enfado de minha mente

mas o tempo não é feito de realidade
o tempo é ilusão
invenção
o cárcere
minha alma presa na sua propria criação

Deve haver um lugar (ó Deus tem de haver!)
onde haja descanso

mas enquanto isso o tempo passa
e onde passa arrasa
como uma enchente cíclica sem fim
a tempetstade, com raios, relampagos e trovão
que sempre reabastece
essa fonte inesgotável
de tristeza e ilusão.