O coração
ainda bate estranho
Estranho mesmo
é que ele ainda bata

Acelera, desacelera
e quase para
Estranho, estranho mesmo
é que ele ainda bata

Psicose, neurose
obcessão!
Estranho mesmo que ele não para
estranho que ainda bata o coração

Paz, calma
tranquilidade
decisão!
São como bálsamo que alivia
mas não explica
porque ainda bate o coração

Porque bate estranho
num poço de paz
mas sem achar a solução
que me explicaria
mas talvez não curaria
esse tão estranho
bater do coração






tempo, tempo
prisão
fonte inesgotável(?)
de tristeza e ilusão

ah! que já não vejo a hora de faltarmes
de deixarme pra trás
ah tempo, de ninguém amigo
a tempos que nada de ti espero mais

há um lugar (será lugar?)
onde o tempo se esgotou
será que um dia nele penetrou?

Esse corruptor
cruel e atroz assassino
dilacerando a cada dia
minha antiga alma de menino
e transformado o que era puro
me levando a um caminho
que sempre acaba num muro

há um lugar (e onde está, se é que há?)
onde dizem nunca houve tempo
não existe coisa sem fim
onde não existe a frase: não me lembro
onde o todo e o unico são uno
onde o conhecimento é pleno

mas a realidade (será mesmo que é?)
é feita de tempo
segundos, horas, meses, milenios
passado, futuro, presente
arrebatando tudo que há em mim
sou a cada momento mais orfão, mais carente
um perdedor cada vez mais eloquente
a ilusão desse mundo descrente
o proprio enfado de minha mente

mas o tempo não é feito de realidade
o tempo é ilusão
invenção
o cárcere
minha alma presa na sua propria criação

Deve haver um lugar (ó Deus tem de haver!)
onde haja descanso

mas enquanto isso o tempo passa
e onde passa arrasa
como uma enchente cíclica sem fim
a tempetstade, com raios, relampagos e trovão
que sempre reabastece
essa fonte inesgotável
de tristeza e ilusão.



Nas sombras espúrias

Da minha memória

Onde jazem pensamentos esquecidos

Ali, sempre guardei seu nome esculpido


Naqueles escuros

Onde brilham apena espaças luzes

Vi a vida inteira, sem conseguir entender

Seu nome a se esconder


Ó luzes que brilham jamais

Porque não me ajudas a ver

O nome da minha amada

Que teima em se esconder


E nesses caminhos tenebrosos

Enquanto vagava a sua procura

Nos labirintos de sombras dentro de mim

Com outros nomes me iludi

E na ânsia de te achar, me perdi


E na noite que pairava ali esculpida

Eu estava cansado, por tantos nomes que me passaram na vida

E no mais impossível dessa situação inesperada

Ali estavam seus olhos -verdes- iluminando essa estrada

E pude ver nesse momento o nome que tanto procurava

Nas sombras de minhas memórias

Onde jazem segredos e vestígios dessa historia

Onde todo dia a mente, monta e remonta essa nossa vitoria



Amor que é amor
erra querendo acertar
erra por simples errar

Amor que é amor
não cansa de perdoar
perdoa mesmo ao cansar

Amor mesmo
não consegue se irritar
e nem ainda se irrita de tanto amar

Amor que é amor
sabe não ser compreendido
e compreende mesmo quando não entendido

Amor será que é humano?
Será só humano?

Amor que é amor
sabe conviver com a dor
pois para o amor nada disso faz sentido
pois para o amor dor faz crescer em amor

Para o amor
as coisas são assim como são pra você
São a singelesa complicada
em um olhar-sorriso descomplicada
no meu peito sua cabeça recostada
em um turbilhão de respostas sua boca calada



Na verdade o amor
não é pedra preciosa
Na verdade o amor
é cimento, areia e aço

Na verdade o amor
não é ouro ou pedra preciosa
nos jardins ele é terra
nunca é rosa

Na verdade o amor
não é fachada nem altar
É base, é profundo
é alicerce, é pilar

Na verdade o amor
não é pedra preciosa
que apenas serve para si adimirar
É cimento, areia e aço
que após os terremotos
teima em não se quebrar

É cimento, areia e aço
que mesmo após as tormentas
e perdendo algum pedaço
está sempre firme
pronto pra outras enfrentar

Não, não é joia preciosa
que caiem logo após o primeiro tremor
É cimento areia e aço
é concreto, suporta toda dor

Não, não é rosa
orquídeas, violetas e margaridas
É chão, é terra
é sustentador da vida
É o remédio amargo
dolorido, que cura toda ferida

Verdadeiramente
pouco o amor tem de belo
Pelo menos nesse mundo de aparências
porque é nele que se encontra
as verdadeiras essências
É nele que ainda repousa
minha alma em paciência
Procurando um dia ainda encontrar
um lugar calmo para poder descansar
É dele que brotam outras coisas
que servem para me adornar
É nele que faço afrescos de seu rosto
para todos os dias recordar

Ah quem me dera!
Ter uma casa só de concreto
e do que é concreto fazer moradia

Ah quem me dera!
Ser do amor por completo
e que todas as minhas noites fossem dias

Ah quem me dera!
Viver num mundo sem aprência
onde o precioso fosse o concreto

Ah quem me dera!
Sair desse mundo em decadência
onde o precioso é o objeto

Ah que me dera!
Viver num mundo sem rosas e flores
que se passassem por verdadeiras

Ah quem me dera!
Viver com verdadeiros amores
pois amor mesmo sem ser belo dura a vida inteira





Não importa a maneira
Ou o método adotado
Importante é transformar
Em novo o usado

Até palavras que se perdem
Às vezes por não dizer
Tornam-se novas em outras em bocas
Sem jamais envelhecer

Como água mole em pedra dura
Que paciente talha a escultura

Como a terra
Para o artesão
Pó transformado em ouro
Pela sua mente e mão

E cada minuto usado
(que seja bem usado)
Para ser reaproveitado
Sem dor
Para que cada lembrança
Seja um fio de esperança
E uma dose de confiança
De um futuro melhor
E o bem seja reciclado e o falso rejeitado
Pois é o imperativo maior