Ai humanidade
quanto mais chega a idade
mais disfarçada fica a vaidade

É tudo mentira
E tudo me irrita

A verdade, que sempre o problema
é comigo mesmo
dava tudo
para estar no ermo

Acho que não tive crises
na adolescência
Agora que deveria ter me achado
não tenho um pingo de paciência

Talvez seja porque é sempre
o que a gente não quer
sempre o que a gente não quer
sempre o que der e vier

E minha vida vai assim
como esse poema
vai tecendo na poeira
vai ficando só sujeira
vou andando sempre na beira
sem saber onde é o fim
porque se está no meio ou termina
não importa, é sempre assim
sempre o que der
sempre o que vier