morro
mas nem todo dia morro por completo
as vezes e sempre
morro ante esses versos

escrevo
sempre em terrível agonia
o coração que dispara no peito
arritimia

sofro
sofro da morte que escrevo
escancarada em meu semblante
alto-relevo

e vivo
dos versos que sempre me matam
dando vida aos poucos
que meus pobres versos acatam

e como sempre
há muito me desespero
pois morro todos os dias
é sempre o final que espero
mesmo que não seja por completo

pra ver se no fim
concluo o dilema
mas aumento muito ainda
o mesmo problema

esses versos que terminam
mas não findam jamais
a morte que é vida e me traga
me enchendo de vácuo, mais e mais