apagaram-se as luzes
mas não foi assim de repente
foi devagar
tão devagar
que ninguém percebeu a escuridão

Os olhos se encheram de lágrimas
mas não foi assim de repente
foi devagar
tão devagar
que ninguém as viu para enxugar

A cabeça quase explode de dor
mas não foi assim, deveras, de repente
foi devagar
tão devagar
que nem percebemos que a hora de dormir já havia passado

E agora que disseram
que as flores iam se abrir
não podemos ver

Apagaram se as luzes
e eu estava sozinho
Apagaram se as luzes
mas também já não sinto a fragrância das flores

Um disparate agora me sobrevêm
e já não sei para onde ir
e nem para onde vou

Sei que vou
e sinto que todos vamos
ainda que sem o cheiro das flores

E que flores são essas
que na minha ilusão
pensei me levar para onde eu queria?

Errei
errei em tudo
e quando pensei recomeçar
era somente para continuar de onde eu havia parado

E antes eu houvesse parado
E antes eu não ouvisse os vossos passos
Indo junto comigo para um caminho que já não sei

Porque apagaram se as luzes
e não foi assim tão de repente
hoje sei que não foi
ninguém viu
e nem percebeu que era chegada a escuridão





Ei cara!
Coitado de você!
Dizem ainda sobre livre arbítrio.
Que bobagem!

O que não falta é coragem
eu só não sei pra que...

A gente anda apressado
quase sempre cansado

A vida parece um correr para o ponto de ônibus
e lá chegando ficar esperando por mais de meia hora.

Eu sempre digo
as palavras não dizem a mesma coisa sempre
vejamos:
Felicidade
A pouco era ter um nome, uma família
Hoje, pelo que me parece
depende, dentre outras tantas coisas
de política e religião, ou não...

Amigo é outra dessas palavras que já não dizem...

Agora mesmo, não consigo fugir da analogia do ônibus
Você espera, ele vai te levar pra um lugar que você precisa
não exatamente um lugar que você quer
Uns ficam na porta, outras ainda andam muito pra chegar
As voltas que os ônibus dão
Inúteis pra você, ainda mais pra você que desce no final
essas voltas são necessárias pra quem vai ficando pelo caminho...

Ônibus!
A vida urbana e os ônibus
Tão parecidas e intrinsecamente ligadas...
Vai entender!

Na minha cidade é assim... a gente queria metro
mas temos que nos virar com os ônibus...
Afinal aqui o metro liga o nada a o lugar nenhum...
É o que dizem. Dizem também que não é um metro, é um trem.
Talvez seja o destino, talvez seja sacanagem mesmo.


Ei cara!
Coitado de você!
Dizem ainda sobre livre arbítrio.
Mas ainda desconfiam de você quando entra no ônibus...

Estou quase convencido que os ônibus estão aqui para nos dizer algo.
talvez uma mensagem oculta
uma mensagem de Deus!

18:30
Tá quase na hora
ele vem lotado...
não quero pensar nisso
Vou aproveitar algum canto qualquer
e ler um livro...













A passagem do tempo
O contar os dias
As palavras ao vento
O sol que ardia

As figuras na mente
O Pensamento
As horas
os meses
os momentos

As loucuras
os sons
as ruas
os sóis e as luas

Miragens
poeira
abismo
beira

Fumaça

Vapor
Tempus fugit

O relógio que me ameaça
seu clique
contínuo
bomba atômica que me mata

Aprendi a dormir
mesmo te ouvindo
clique-claque
a me ninar
bomba constante
aqui dentro, nuclear

Aprendi a te amar

(Aqui dentro
não sei como ainda
mantenho os processos
acordo
durmo
venho trabalhar

Tempo, tempo, tempo, tempo, tempo, tempo, tempo

me impulsiona
me faz frear)











Passavam carros
todos vazios
nas avenidas lotadas
o pensamento engarrafado

Em todos os carros vazios
haviam celulares falantes
que falavam e falavam
de coisas importantes

Do lado de fora
calor e frio
e as pessoas que também sonhavam
estar em um carro vazio

Era uma pressa impressionante
do lado de dentro e de fora
enquanto o trânsito andava parado
haviam poucos
muito poucos do outro lado

As vezes havia tempo para um cigarro
quando por dentro e por fora
não estava tudo enfumaçado
as vezes havia tempo
as vezes, mas não raro

E em frente ao meu serviço
onde agora passam todos esses carros
havia um pé de mamão
desafiando todo esse estado

Eu não faço idéia de como ele
-o pé de mamão- cresceu ali
também não sei como de repente eu o vi

Na rua Santa Catarina
em meio a Savassi
um pé de mamão!
e aqui em cima na sacada
um cigarro em minha mão

Me lembro de você
ai em casa
e sinto o coração

Vou a terapia hoje
resolver problemas de carros
fumaça
e agora mamões

Deve ser isso mesmo
deve ser que seja isso ai....







Não tem nada que eu nunca...
nada e nunca não são

Tudo é algo que não existe
Nuca deveria ser usado
mas como nunca e nada também não
vale tudo, mesmo que não seja nada

Fomos muitos
mas não tudo
Fomos poucos
mas não nada

Muito e pouco
estão nos olhos de quem vê
no coração de quem sente

Os seres humanos
de todos os animais sociais
são os mais anti-sociais

Acham um absurdo que alguém cheire seu rabo
Mas virtualmente falando
vivem de cheirar rabos alheios

Rabos sempre fedem!

O seu fedor é algo para ser escondido
Adoramos peidar
mas odiamos os peidos

E essa é uma poesia de amor a humanidade
que mesmo sem querer
vive de cheirar os peidos, alheios ou não
e de tentar esconder os seus próprios

Cada macaco no seu galho
mas que os galhos estejam todos perto

Antigamente quebrar o galho de alguém
era algo bom...

O ser humano pirou de vez!
Não que eu ache que algum dia ele já foi são
mas cara, pirou de vez!

E não há nada que se possa fazer
mesmo que se tenha feito tudo!
Eu sei, é mentira
Há sempre o que se fazer

Então...
Que os macacos cheirem seus rabos
e que os cachorros desçam dos galhos!