
A realidade
é a maior mentira jamais contada
Não existe nada
E o que se acredita não é verdade
Todas as palavras criadas
Todas as formas de pensar
reprimidas
formatadas
ensinadas
Não existe nada
só estas formas formatadas
O que?
Quem?
Onde?
Nada!
A realidade é essa mentira mal contada
Todos os nosso "ismos"
caídos
Todas as nossas "ias"
falidas
Invenções malfadadas
Nossa realidade
é mais uma, quiçá a pior
das possibilidades
Matéria
Superfície
3 dimensões
E eu aqui
sozinho
com meus botões

tivera de esperar
ser longânimo
não pode se ufanar
não se ensoberbeceu
chorou
tantas vezes quanto foi preciso
suportou
mesmo parecendo não se conter
e sobre nada mentiu
nem sobre sua dor
sorriu
crendo contra a esperança
viu o que os olhos não
podiam ver
acima de tudo
perdoou
e contra qualquer argumento
cobriu multidão de erros
venceu o medo
foi feliz

O mundo já se vai
e fico pensando na pelada de ontem, a que perdi
As bombas que aqui não caem
Vejo em vídeos em meu feed, juntamente com coisas que me fazem rir
Gente morta
Gato salvo
João sem braço
o livro
o que li
os que não li
O mundo se foi
Com aquela criança palestina
Sim, foi
a muito
na esquina
em todas elas
na inocência que não mais existe
no menino
na menina
Segunda deve haver outra pelada
hoje pinto as paredes
as paredes de minha casa
Um dia desses
se quiser
pode aparecer pra jogar com a gente
sempre falta alguém
será uma honra

No início
pensei
e pensei saber
e ainda, mesmo que improvável
deveria haver pelo menos um
que fosse um
sentido
Quando nessas horas
toda a humanidade invade
e dilacera minha mente
choro
desses choros internos
esses que ninguém vê
Eu mataria um bilhão de homens
para que houvesse paz
mas não sou capaz de matar um homem sequer
e mato todos os dias
milhares deles
pelas ruas e esquinas
Meus olhos não cruzam mais com os dos homens
não vejo humanos
vejo mentira
mentira tal
que a vaidade é uma virtude
Ah! Gostaria de poder exclamar:
Tudo é vaidade!
Cachorros, gatos e bois
ganham o nosso afeto.
Não nos apiedamos de pobres e índios
descobrimos motivos para odia-los
E matamos cachorros, gatos e bois
para termos ainda piedade de algo
O opressor e o oprimido
são o mesmo lado de uma moeda que nunca existiu
e do outro lado da moeda
existe apenas um vazio
o lado da moeda que nunca existiu...
É forte o sol aqui embaixo
procuro... procuro...
não acho.
É seco o chão em que piso
e das lágrimas que não choro
faço meu sorriso
como o amargo que se torna doce
por falta de opção
como o sentir que não se sente
e se chama coração
como continuar mesmo assim
sempre andando
como o ser que já foi
chamado ser humano
como quando se confunde
o ar, a respiração
e se continua olhando
por autocomiseração

Amigos!
Queria avisar-lhes
Que não morri!
Avisar que meu sorriso
pra todos ainda sorri
E também que continuo
ainda por aqui
E que me esforço
para nunca mentir
Amigos!
Queria avisar-lhes
que o mundo não acabou
Que o asfalto
meu coração não asfaltou
Que a cidade é o sonho
de quem nunca sonhou
E que existe vida
muito pr`além do rock in roll
Amigos!
Queria que soubessem
mas que não se entristecessem
Vocês podem também não morrer
Viver uma vida que seja viver
E ser sempre sendo o que se tem que ser
Amigos!
Nas últimas horas
se foram os dias
E a noite, que outrora tardia
chegou
e ficou
de mancinha
Amigos!
Agora que existe
um sol pra cada cabeça
amendronto-me
com medo que nunca amanheça
Amigos! Amigos!
antes, agora
ainda não morri
queria avisar-lhes
e informar-lhes
eu vi!
