Eh!
A vida não foi
como planejada
E agora
que se passaram
os anos...
Encruzilhado entre:
Utopias, verdades e enganos

Há de se pensar
em uma saída
mesmo assim se sabe
não foi como planejada a vida

Se conforme enfim
com a realidade
quem sabe assim
haja alguma novidade
nesta caminhada que a cada dia mais cansa
seja isso um fio frágil
fino fio de esperança

Eh!
A vida se mostrou
mais dura, mais grave
mas por fim
há outra rota
como na cidade
sobrevoam sós
aquelas cinzas aves





Há um revolver
recostado em meu peito
e desde sempre
um projétil em meu coração

Há um revolver
encostado em meu peito
e há muito tempo
um projétil em meu coração

Há um revolver
e meu peito
um projétil
e meu coração

Há um revolver
contra meu peito
projéteis invadem
meu coração

Há revólveres
em todos os peitos
e projéteis ao invés
de corações

Meu peito é um revolver
e um projétil meu coração




Atormenta minha cabeça
minha peregrinação
olhos torpes, fatigados
olhando sempre pro chão

Se olho pro céu já é noite
sem estrelas, escuridão
E quando é dia , meu pescoço cansado
revolve de volta pro chão

Quando me deito, me deito de lado
as vezes cansado, as vezes não
me viro pra um lado, me viro pro outro
acabo virado com o rosto pro chão

Ando cansado e um pouco irritado
com essa paisagem sem variação
e temo que ando andando em círculos
seguindo minhas pegadas no chão

Se volto, meus rastros estão embolados
elevando em muito minha confusão
Desisti!
Mudei de estratégia
Cavei uma cova no chão

E morri como um covarde
nessa ousada e corajosa decisão
Melhor que olhar-te, eu que sou barro
é fazer parte de ti, chão






Ria-se de mim
ó Eterno
por me ver fugitivo de Ti
pois quando não quero
mais ser quem sou
ando por onde vou

Ria-se de mim
ó Deus
pelo fato de me ver abalado
pois ando atolado
afogado em meu próprio pecado
e sei
misericórdia queres
não holocausto
mas
não tendo
nem uma, nem outra
vou perecendo
mesmo ao Teu lado

Ria-se de mim
ó Criador!
Pois não sei
que já fui resgatado
da minha própria dor







Não
eu não espero uma mão
que me busque ao cair

Não
não espero

Detesto bajulação
prefiro o escarro
o cuspi, o catarro

Deixo as frases
idiotamente bonitas para
Caio F. Abreu

As músicas
de quem não quer crescer
com Nando Reis

Estou com pés em terra
e a terra está em decadência
constante

PAREM!
Não me chamem de pessimista
nem me deem qualquer outro título

Quando buracos se abrirem
casas ruírem
não houver a quem chamar

quando as vozes se calarem
as águas secarem
e teus filhos te matarem

quando o amor acabar
e tudo quanto antes esperava
morrer

Aí então
teu grito não passará de silêncio
e teu choro
sim teu choro estará para sempre embargado

Não
agora não espero nada

E minto pra mim nesse instante
ao dizer que nada espero


Se ao sair do serviço
tudo que eu queria
era te encontrar em casa












Eu que era uma cara
de muitas palavras
descobri no silêncio
a minha essência

Eu que pensava
gostar de diversão
encontrei na solidão
muitas respostas

Eu que sempre falava
e falava de mim
descobri no outro
a razão de ser

Eu, que de mim
nada mais tenho pra dar
descobri
que posso ser outro

Eu que já não sou
quem aqui divaga
me perdi
e me encontrei em mim