Só tens, enfim, o passado.
O presente não tens, não se alcança.
Tens até o futuro, planejas, se prepara, até para o mal.
Mas o presentes não tens
não controlas o que de repente acontece
o absurdo
o acaso
Tens a fé, se é que a tens
A fé é sempre para um futuro
mesmo que imediato
O presente é como as estações
Nós, o observamos
pra tentar prever o imprevisível
Para de repente vir uma tempestade
ou uma terrível bonança
Olha o passado com ternura
Perdoa-o
Perdoe-se
Olha o futuro com a gravidade das flores
E o presente, viva-o
ou simplesmente viva
JRS
Meu filho
Que prestes está pra nascer
Herdará, de mim
pelo menos no que de mim depender
um mundo melhor
Mas o triste de tudo
é que por mais que me esforce
não creio no que digo
Por essas bandas de cá
onde o sol sempre reinava
já reina há muito tempo
um tempo tempestuoso
de desastres de todo tipo
Eu queria que herdasse de todos nós
qualquer coisa diversa do que vivemos
que fosse guerra
pra que em pensar em guerra
pensássemos num provável fim da guerra
Mas onde nos metemos!
Numa guerra que não tem fim
porque não temos coragem
e coragem sempre nos falta
de nos declarar em guerra
pra que talvez, assim, lutássemos
Na Barra
que não era uma "barra"
mataram com uma barra (essa de madeira mesmo)
um refugiado
e pra espanto de ninguém
foi o terceiro em menos de um mês
Tentaram sabotar o que nos resta
e o que nos resta além de esperança?
Disseram que esperança é coisa dos fracos
que esperar é coisa ruim
quase me convenço de que têm razão
mas ainda tenho esperança
Meu filho há de nascer
E seu nome como profético
Como um raio
Caio!
Caio em mim
E oro
Pra que caiam
Caiam todos em si
Que somos uma coisa só
E que essa barbárie existe antes
antes da morte factual
existe em mim
como potência
mas antes
como advertência
do que devo me livrar
dessa violência
que habitava, outrora
apenas o recôndido do nosso ser
e que pulou pra fora
Queria lutar
Lutar por mais equidade
quem sabe por mais iguadade
mas Caio
nossa luta, por ora
é contra a bárbarie
antes, a que nos habita
que ela morra em você
e talvez nem nasça
seja da luz esse raio
gentil
Caio.
Que prestes está pra nascer
Herdará, de mim
pelo menos no que de mim depender
um mundo melhor
Mas o triste de tudo
é que por mais que me esforce
não creio no que digo
Por essas bandas de cá
onde o sol sempre reinava
já reina há muito tempo
um tempo tempestuoso
de desastres de todo tipo
Eu queria que herdasse de todos nós
qualquer coisa diversa do que vivemos
que fosse guerra
pra que em pensar em guerra
pensássemos num provável fim da guerra
Mas onde nos metemos!
Numa guerra que não tem fim
porque não temos coragem
e coragem sempre nos falta
de nos declarar em guerra
pra que talvez, assim, lutássemos
Na Barra
que não era uma "barra"
mataram com uma barra (essa de madeira mesmo)
um refugiado
e pra espanto de ninguém
foi o terceiro em menos de um mês
Tentaram sabotar o que nos resta
e o que nos resta além de esperança?
Disseram que esperança é coisa dos fracos
que esperar é coisa ruim
quase me convenço de que têm razão
mas ainda tenho esperança
Meu filho há de nascer
E seu nome como profético
Como um raio
Caio!
Caio em mim
E oro
Pra que caiam
Caiam todos em si
Que somos uma coisa só
E que essa barbárie existe antes
antes da morte factual
existe em mim
como potência
mas antes
como advertência
do que devo me livrar
dessa violência
que habitava, outrora
apenas o recôndido do nosso ser
e que pulou pra fora
Queria lutar
Lutar por mais equidade
quem sabe por mais iguadade
mas Caio
nossa luta, por ora
é contra a bárbarie
antes, a que nos habita
que ela morra em você
e talvez nem nasça
seja da luz esse raio
gentil
Caio.
Um alinhamento planetário
Palavras que não entendo
Um glosário
O tempo e a mente
Dez minutos
a qualquer horário
um jogo de futebol
o noticiário
O tempo mente
O tempo na mente
é sempre passado?
O tempo na mente
é sempre futuro?
E no presente?
É sempre um muro!
Procuro
não acho
na mente
o tempo
é sempre escuro
Eu sempre pensei
Que a visão fosse
de todos
o mais especial dos sentidos
Até ontem
Até ouvir seu coração
É estranho meu amor
o mundo anda tão ruim
a maldade tem tomado conta
e a tristeza assolado tantas vidas
e quantas outras perdidas
É estranho meu amor
mas estou tão feliz
desde que você surgiu
tudo anda diferente
mesmo o tempo
que andava implacável
suavizou
Ando bobo
meio sem palavras
repetindo frases feitas
Foi em agosto
que te ouvi e vi pela primeira vez
uma imagem cheia de ruídos
e mesmo assim
nunca vi nada mais bonito
aquele som
a soar
infinitamente agora
dentro do meu
o seu coração
Eu sei
meu amor
que você ainda
está sendo formado
substância, a pouco, ainda informe
e mesmo assim
já não sou mais o mesmo
desde que ouvi de você
ainda mais
depois de te ouvir
Vem
me transforma
faz de mim
o que em mim
sempre esteve latente
mesmo quando dormente
faz de mim pai
no presente
meu presente
coaduna
como luz
Luna
Que a visão fosse
de todos
o mais especial dos sentidos
Até ontem
Até ouvir seu coração
É estranho meu amor
o mundo anda tão ruim
a maldade tem tomado conta
e a tristeza assolado tantas vidas
e quantas outras perdidas
É estranho meu amor
mas estou tão feliz
desde que você surgiu
tudo anda diferente
mesmo o tempo
que andava implacável
suavizou
Ando bobo
meio sem palavras
repetindo frases feitas
Foi em agosto
que te ouvi e vi pela primeira vez
uma imagem cheia de ruídos
e mesmo assim
nunca vi nada mais bonito
aquele som
a soar
infinitamente agora
dentro do meu
o seu coração
Eu sei
meu amor
que você ainda
está sendo formado
substância, a pouco, ainda informe
e mesmo assim
já não sou mais o mesmo
desde que ouvi de você
ainda mais
depois de te ouvir
Vem
me transforma
faz de mim
o que em mim
sempre esteve latente
mesmo quando dormente
faz de mim pai
no presente
meu presente
coaduna
como luz
Luna
Morreu!
Mas não uma morte qualquer
Morreu sufocando
morreu sufocado
Morte
mais indecente que a severina
acreditou no presidente
tomou cloroquina e o ar acabou
antes da cartela de ivermectina
Morreu sufocando
um já sufocado
hospital lotado
agonizou no corredor
antes mesmo de ser entubado
na contramão da vida
atrapalhando o sábado
E eu, que ainda respiro
morri mais um pouco
e me chamam de louco
porque morro
e morro
a cada um que morre
que morre sufocando
que morre sufocado
Mas não uma morte qualquer
Morreu sufocando
morreu sufocado
Morte
mais indecente que a severina
acreditou no presidente
tomou cloroquina e o ar acabou
antes da cartela de ivermectina
Morreu sufocando
um já sufocado
hospital lotado
agonizou no corredor
antes mesmo de ser entubado
na contramão da vida
atrapalhando o sábado
E eu, que ainda respiro
morri mais um pouco
e me chamam de louco
porque morro
e morro
a cada um que morre
que morre sufocando
que morre sufocado
Jaquatirica
Jaquatirica
como um gato
vai e fica
Jaquatirica
corre
foge
ninguém liga
É do Brasil
não é jaguar
é mais cômico
tírica
Mas é selvagem
não é gato
não é onça
não é tamanduá
nem preguiça
Jaquatirica
nem acordado
nem dormindo
me belisca!
Jaquatirica
tenho medo
e quem tem medo
não se arrisca
Jaquatirica
pelo lago
pela fonte
pela bica
Jaquatirica
que espreita
que espia
que intriga
Jaquatirica
não se vá
nem pelo fogo
e me diga
Jaquatirica
onde estás
pronde vai
que me instigas?
Jaquatirica
ninguém liga
Jaquatirica
pela volta
pela ida
o que importa
é que se estás
ainda há a vida

