
Não tem nada que eu nunca...
nada e nunca não são
Tudo é algo que não existe
Nuca deveria ser usado
mas como nunca e nada também não
vale tudo, mesmo que não seja nada
Fomos muitos
mas não tudo
Fomos poucos
mas não nada
Muito e pouco
estão nos olhos de quem vê
no coração de quem sente
Os seres humanos
de todos os animais sociais
são os mais anti-sociais
Acham um absurdo que alguém cheire seu rabo
Mas virtualmente falando
vivem de cheirar rabos alheios
Rabos sempre fedem!
O seu fedor é algo para ser escondido
Adoramos peidar
mas odiamos os peidos
E essa é uma poesia de amor a humanidade
que mesmo sem querer
vive de cheirar os peidos, alheios ou não
e de tentar esconder os seus próprios
Cada macaco no seu galho
mas que os galhos estejam todos perto
Antigamente quebrar o galho de alguém
era algo bom...
O ser humano pirou de vez!
Não que eu ache que algum dia ele já foi são
mas cara, pirou de vez!
E não há nada que se possa fazer
mesmo que se tenha feito tudo!
Eu sei, é mentira
Há sempre o que se fazer
Então...
Que os macacos cheirem seus rabos
e que os cachorros desçam dos galhos!

Ai se tu soubesses
desse espinho doloroso...
Carrego em minhas vísceras
sangue
Sangue
esse melado
continuo sendo educado
coração é um músculo
válvulas
carro
amplificador
e fiquei sabendo que por lá
também andam neurônios
era o que me faltava!
E me faltam tantas coisas...
Ah se tu soubesses...
e se eu soubesse
de ti... o que te faltas...
Sabe essas coisas que dizem por ai?
não essas de ódios e rancores
essas simples
essas que não ligam mais?
Ando meio confuso
é tanta coisa pra acreditar
que ando gostando de ideia de não acreditar em nada
Me chamarão de ateu
ai!
Os rótulos!
Eu me sinto hoje
tão mais perto de Deus
não tenho desculpas
nem culpas
nem certezas
Tem dessas coisas também
tenho certezas absolutas sobre muitas coisas
tem dessas coisas
essas que ninguém sabe explicar
essas que não precisam de explicação
Kafka tinha razão
mas a razão era só o que ele tinha
o Humberto e suas lógicas
inabaláveis em vão
E agora
repito mais um dos meus versos
mais um dos versos meus
Porque eu repito
e repito
estou agora com os pés no chão

A alma
saída em traumas
não queria ser alma
queria a calma
do caos da eternidade
E se alma ainda fosse
queria ser índio
queria ser mato
queria ser onça
queria ser pássaro
Se fosse estrela
que fosse
mas que não fosse aqui
que fosse pelo infinito
seria achado
mesmo que perdido
Quando saí daí
sai sem saber
horas e vidas
estradas e vozes
E como não quisesse ouvir
outra voz
se não a sua
queria ser surdo
queria ser nada
queria ser teu
queria ser tudo
A alma
que alma não queria ser
agora se engana
se tornou alma
queria ser
e ser humana

Minha fé
anda sozinha
é como âncora
e é minha
só minha
Todos os porquês do mundo
pairam em mim
em um segundo
É uma síntese
simples
simples assim
para mim
e só para mim
Onde os paradoxos se resolvem
e a dúvida se dissolve
Estar então sozinho
sem nunca assim estar
é um caminhar
e tão somente um caminhar
É um salto que não se pode saltar
a não ser que salte sem saber
sem saber se se pode alcançar
e na incerteza se acalmar
pois o próprio salto te fez saltar
É um entregar-se ao abismo
consciente da gravidade
E saber que o degrau só existe quando se pisa
ou não
e ainda assim se alegrar
É uma paz conflituosa
é um descanso que te impulsiona
É a alegria de ver aquilo que não se pode viver
É saber que viver vai além
Era um desespero
hoje uma certeza
Uma certeza onde se penduram todas as dúvidas
É rir-se de si
É saber que Ele também ri

"Não é possível comunicar-se
O silêncio é a única linguagem
das coisas que se esperam
em certezas de miragem"
Silêncio
Silêncio
e mudo
mudo continuar
das coisas que se esperam
não há palavras
Absurdo!
Não há ética
nem tão pouco moral
não há certo, errado
bem, mal
Das coisas que se esperam
não se pede um sinal
"Esquizofrenia!"
Uma voz
uma voz aqui dentro
medo
melodia
Das coisas que se esperam
se espera com paz
angustiosa paz!
E se anda
por ai
sem destino
E se anda por ai
desatino
Se vai
e não se pode voltar
das coisas que se esperam
se sabe
se sabe
mesmo na impossibilidade
se sabe
em toda e total verdade
Das coisas se esperam
contra a esperança caminhar
e no fim, ao longe ver
se regozijar
das mesmas coisas que se esperam
dessas
dessas que não se pode comunicar

Estar pronto para morrer
é este o último limiar
a última fronteira
que se deva atravessar
A mente se consome em desejos
viagens e roteiros
nunca pronta para cessar
Há paz na morte
Não se assustar com a morte
é reconhecer de vez por todas
a fragilidade da vida
a sua limitação
Tropeçamos todos os dias
por todo o dia
A morte é a realidade pungente
A nos esperar calmamente
À hora em que nossa hora chegar
E se vê muita gente tentando fugir
morrendo devagar
Sem nunca estar pronto
Sem pronto, nunca estar
E a morte que vem de mancinha
durante a vida nos abraçar
Nas manhãs que não mais saciam
No sol que só queima
No frio que corta
No dia que se esvai
sem que nada possa se fazer
Nos beijos que não acalentam
No canto dos pássaros que não se ouve mais
Na correria da vida
Na ansiedade
que só faz matar
Correr da morte
e na morte se abraçar
Estar pronto para morte
a qualquer hora
em qualquer lugar
E pode ser que se fique velhinho
e feliz
pois se venceu mais um medo
e sem medo é que se deve viver
pois sem medo
morrer não é morrer
é andar no caminho da vida
para um dia a vida absorver
sua vida
eterna
viver