
Postei uma ode as flores
mas elas não leram
jamais souberam
e não deixaram de sorrir
Compus o mais belo hino
aos pássaros
mas eles
sim, eles
não desviaram seu vôo
Escrevi
Filmei
corri
corri
corri
e mais uma vez escrevi
declamei
gritei
as mais belas palavras que aprendi
aos fundamentos da terra
mas eles
ao meu clamor apaixonado
não se moveram
Por fim
desisti
e no íntimo compreendi
que todos eles moveram o meu coração
para enfim me voltar para Ti

O dia acordou
absurdamente igual
E a sensação de que realmente nada mudou
A sensação de não participar de nada disso
e de ser
mesmo assim
parte disso tudo
A certeza quase intrínseca
de ser pós pós-moderno
de achar que pós-moderno
me soa como algo velho
Hoje fui acordado
com esses sons digitais
dos nossos "modernos" despertadores
mas só fui tirado do sono
com o som de um objeto ao chão
E pensei em uma pergunta
que ainda não tenho resposta
ou tenha preguiça de responder
Porque quanto mais eu durmo
mais tenho vontade de dormir...?
E me assusta a sensação
de tudo deixar de ser, tão rápido
e tão rápido
tudo ser outra coisa
igual ao que já era
Pós-moderno
pós-eterno
"pós" é terno
"pós" é lero!
E a pressa que a cidade imprime em nós
e que parecia mais acelerada
e que parecia ter freado ontem...
continua a empurrar a todos
neste fluxo
contínuo
incessante
que só pára
no instante
em que um mendigo nos encara
Conversas de sempre
sobre morar no campo
entre árvores, rios e cachoeiras
reclamações sobre as picadas de insetos na canela
a certeza que ocultamos
a certeza que não conseguiríamos morar no campo
Planos antigos em novos formatos
aquele olhar que diz: dessa vez é pra valer!
E aquela dúvida que sempre paira
Será que dessa vez começaremos pelo menos?
Hoje poderia ser qualquer dia
mas não é
por motivos pr'além do meu controle
novas contas, novos impostos... tudo de novo
e nada de novo....
Mas domingo temos festa
e a novidade começou no ano velho
hoje, mesmo hoje
vivo como tudo se fizesse novo
ou ainda
como sendo mesmo novo
porque, por mais que tudo se repita
e o cosmo nos force
e encaminhe a uma consciência coletiva global
eu ainda me tenho
e tenho a chance cotidiana de me livrar
desse Karma universal
e ainda de não entrar no karma de viver
pra me livrar
Tive que ser salvo de mim
Agora que já passa do meio dia
entro em outro ciclo inevitável
e me sinto terrivelmente
e graciosamente humano
estou com fome
limitado
igual
a todos
estou mais uma vez
com os pés no chão
esmagado pela realidade que me oprime
e me liberta
porque me faz transcender
Não se esqueçam
Sim, não se esqueçam
preciso da ajuda de vocês
para comprar a minha cama

O cheiro bateu forte
Era a morte
Enquanto os holofotes
se apagam
se acendem os clarões
que saem dos tanques e aviões
Sim!
Parece forçada a rima
como forçada é a vida
quando o que vêm de cima
é a despedida
E eu me penso morrendo
Sem saber porque
Respirando a toxina
que se alastra agora
por todos lados (vinda de cima)
E eu me sinto morrendo
e morrendo comigo
todos as coisas que faria
e muitos amigos
com as coisas que também fariam
O lacrimogêneo do brasil
é a mesma forma hostil
das armas químicas da síria
e morrem todos
aqui e lá
Guardadas as devidas proporções
das vidas perdidas
sem velório
sem honra, sem ao menos despedidas
Porque nos matam também
com pão e circo todo dia
e palhaços que somos
não notamos
a nossa própria decaída
Meu time ganhou
Meu time é eterno
a América é nossa!
E se riem de nós
em nossas calejadas costas
Você viu o gol?
Que golaço!
Foi de placa!
Enquanto enfiam em nosso peito
a nossa vista, a adaga!
Ah! Que pena que morremos vivos!
E morre conosco também nossos dons
Ah! Que pena que morrem respirando!
Ouvindo da guerra seus próprios sons
É Black Bloc, Fora do Eixo
Al-Qaeda, terrorismo, e Fascistas
Revolucionários
Reacionários
Neoliberais e Comunistas
Judeus, Gays, Árabes e escravistas
Árvores, fome
Evangélicos e exorcistas
Militares, Civis
Papa, Clero e ativistas
Green Peace, Talibãs
As Farc e chavistas
Globo, Mídia Ninja
Cariocas e Paulistas
Internet, Blogs
Redes Sociais e as revistas
Animais abandonados, gatos
Mulher pelada e motoristas
Eu e você, nós
a violência em mais uma revista
Tráfico, tráfego
desvios, falcatruas e petistas
Presidentes, ex-presidentes
Presidentas e legalistas
Maconha, Direita
Tucanos e autopistas
e pulso já não pulsa
E a alucinação já não suporta o dia-a-dia
Morrem todos!
Por gás
Por tiro
Do choro, de látex
Mortal, de chumbo
Morremos todos
de morte pior
Muito pior que Severina
Apocalipse zumbi
em todo mundo
em toda esquina
mortos-vivos
ou mortos na consciência
ou em mais uma chacina
E cada um com uma bandeira
já não vivem
apenas resistem
e o amor morre
nas mesmas bandeiras
preconceituosas e "progressistas"
E na síria
Europa
Laos e China
No Brasil
Estados Unidos
Ásia, Rússia
e conchinchina
Morrem todos
numa luta que não traz vida
Morrem todos
até deus
num adeus suicida

Tudo começou num dia 19
Tudo deu prosseguimento num dia 19
Tudo se encerra num dia 19
Hoje, pela manhã fazia 19 graus
Sexta, no relógio, marcava 9:19
19
1 e 9
Primeiro e último
alfa e ômega da minha vida
Dizem por ai que sou de extremos
Logo eu, que tento tanto o equilíbrio
Deve ser isso, por viver em extremos
Vivo de tentar o equilíbrio
1 e 9
Meu médico esperou 2 minutos
pra ter certeza que eu nasceria dia 19
00:02
Nasci no 1, extremo
Primeira hora do dia
Me persegue
Ou pra alguns, 1 hora do início da madrugada
Depende de quem vê
Extremos!
Sim! Não estranhem
Eu realmente gosto deste número
Deixem-me com minhas bobeiras particulares
Ah claro! Não creio em nada disso
mas confesso mais um vez
Gosto realmente deste número
Sou estranhamente metódico com coisas inúteis
Conto passos
faço trajetos imaginários
pra ver se corto caminho
andando em diagonal pelas ruas
desvio de passeios mais altos
pra andar menos
faço contas absurdas com números
pra chegar a um resultado específico
fico olhando detalhes de carros
todas as maçanetas
ou todos os painéis
para-lamas
para-choques
entre outras tantas bobagens como essas
meus "toc's"
Por fim e enfim
não sei até quando
essas coincidências persistirão
ou se de fato
eu as force
mais uma das minhas bobeiras
de achar padrões...
Por fim e enfim
Vamos brincar de pique esconde
Eu sou o Pêga
Deixa que eu conto
1,2,3.....9....19

Para todos aqueles que como eu
caminham agora
no vale da sombra da morte
e tem como horizonte
a terrível imagem
deste
o último inimigo a ser vencido
Além do mais
não há imagem alguma
apenas a incerteza
Não se sabe, a todo instante
o que se espera no próximo passo
Pedras? Abismos?
Não se vê nada
e de concreto nos resta
apenas a dúvida
Por insensatez talvez
não posso saber
continuo a caminhar
porque Tu estás também aqui
não vejo, não posso saber
mas não temo
Logo, talvez, esse vale
se torne em campo
e eu descubra
que entre vale e campo
não há diferença alguma
somente e apenas
meu modo de ver
porque Tu sempre estás...
mas agora, neste instante
não vejo
