
Eu não matei ninguém!
Eu poderia jurar
se disso tivesse certeza
mas com certeza
eu não posso ter
Quem sabe onde
caiu aquele projétil
atirado para o alto?
Quem sabe
se em um coração já dilacerado
ou em alguém (in)feliz
que na hora e lugar errado
parou, ou olhou para o lado?
--------- Esse tiro para o alto
------------------- palavras como dardos....
-Eu não matei ninguém!-
Mas agora que de novo
morro
poderia jurar que esse
mal agouro
são minhas palavras-balas
em retorno
em meu peito
em estouro
e é por isso que mais sofro

É notória a dor
impressionante a vida
essa surpresa constante
- encontros e despedidas -
a cura que alegra
a ardência da ferida.
Incrível e inescrutável
nossos caminhos
nesta então rua sem saída
São feitos planos
mapas e tantos atalhos
neste chão de idas e voltas
colcha de retalhos
onde me deito, me perco
descanso, me embaralho
E a cada dia
um passo em falso
com fé
me refaço, sou tudo, descalço...
Mais um passo
e não passo
de um cara
que quer parar
mas pede sempre
um cigarro
um abraço
um escarro
e cansado entro no carro
e lá fico... e lá paro

Eh!
A vida não foi
como planejada
E agora
que se passaram
os anos...
Encruzilhado entre:
Utopias, verdades e enganos
Há de se pensar
em uma saída
mesmo assim se sabe
não foi como planejada a vida
Se conforme enfim
com a realidade
quem sabe assim
haja alguma novidade
nesta caminhada que a cada dia mais cansa
seja isso um fio frágil
fino fio de esperança
Eh!
A vida se mostrou
mais dura, mais grave
mas por fim
há outra rota
como na cidade
sobrevoam sós
aquelas cinzas aves

Há um revolver
recostado em meu peito
e desde sempre
um projétil em meu coração
Há um revolver
encostado em meu peito
e há muito tempo
um projétil em meu coração
Há um revolver
e meu peito
um projétil
e meu coração
Há um revolver
contra meu peito
projéteis invadem
meu coração
Há revólveres
em todos os peitos
e projéteis ao invés
de corações
Meu peito é um revolver
e um projétil meu coração
Atormenta minha cabeça
minha peregrinação
olhos torpes, fatigados
olhando sempre pro chão
Se olho pro céu já é noite
sem estrelas, escuridão
E quando é dia , meu pescoço cansado
revolve de volta pro chão
Quando me deito, me deito de lado
as vezes cansado, as vezes não
me viro pra um lado, me viro pro outro
acabo virado com o rosto pro chão
Ando cansado e um pouco irritado
com essa paisagem sem variação
e temo que ando andando em círculos
seguindo minhas pegadas no chão
Se volto, meus rastros estão embolados
elevando em muito minha confusão
Desisti!
Mudei de estratégia
Cavei uma cova no chão
E morri como um covarde
nessa ousada e corajosa decisão
Melhor que olhar-te, eu que sou barro
é fazer parte de ti, chão
Ria-se de mim
ó Eterno
por me ver fugitivo de Ti
pois quando não quero
mais ser quem sou
ando por onde vou
Ria-se de mim
ó Deus
pelo fato de me ver abalado
pois ando atolado
afogado em meu próprio pecado
e sei
misericórdia queres
não holocausto
mas
não tendo
nem uma, nem outra
vou perecendo
mesmo ao Teu lado
Ria-se de mim
ó Criador!
Pois não sei
que já fui resgatado
da minha própria dor